As Aventuras das Tardes

Fui daquelas crianças que viveram em frente da televisão. Adorava os filmes da Sessão da Tarde e eu mesmo queria participar de todas aquelas aventuras e ao final ganhar o beijo da Mocinha que eu salvei. Eu suspirava e não ligava para os perigos.

Eu queria ser Indiana Jones e viajam o mundo combatendo os nazistas e usando meu chicote. Na minha imaginação eu usava qualquer cinto do meu Pai para ter o meu chicote. Admito que mais de uma vez tomei umas pancadas após quebrar alguma coisa ou desaparecer com o “chicote”.

Eu crescia vendo os nerds e mais fracos da escola dando a volta por cima e conseguindo vencer os valentões. Eles sempre tinham amigos legais, uma turma bacana e fiel e eu inveja a todos eles.

Eu sonhei em embarcar no DeLorean e ir para uma data qualquer, mas se pudesse escolher eu queria ir pro futuro e ter um skate voador. Se eu pudesse escolher seria isso mesmo! E eu ia adorar também nos dias de chuvas, aquelas roupas que secavam sozinhas.

Eu cresci mas a nostalgia daqueles tempos continuam. Tardes em que os filmes eram reprisados à exaustão e mesmo assim ainda me deixam cheio de vontade de ver.

Lembro que meu fiquei louco quando descobri que havia personagens do Mortal Kombat que eram baseados nos personagens do “Os Aventureiros do Bairro Proibido”

 Eu acompanhei “Karatê Kid” e vi as sovas que aquele rapaz levou. Eu mesmo não entendia as lições do Senhor Miyagi até ver seu pupilo vencer os outros sujeitos usando as técnicas que ele havia ensinado sem que o aluno entendesse.

São tantos filmes, tantos momentos que lembram aquele menino com os olhos brilhando em frente a TV. Aquele que fantasiava ser o Mocinho de cada história e que foi crescendo e perdendo um pouco da inocência. Mas cada um destes filmes, cada uma das trilhas sonoras ainda fazem este adulto ficar com o coração batendo diferente. Este adulto aqui ainda lembra das coisas boas de quando era menino, este adulto aqui cresceu, aprendeu responsabilidades, trabalha e tem um bom salário.

Mas eu preciso dizer que este adulto aqui, este mesmo que tá escrevendo, este adulto aqui ainda vive cada história como se fosse o Herói, vive cada história salvando mocinhas e derrotando bandidos, esse adulto ainda é Arqueólogo, Policial, Herói Mascarado, Viajante Espacial e Gladiador.

Escrevendo tudo isso e repensando a vida, sei que aquele menino esta feliz. Suas aventuras vão durar para sempre aqui dentro do meu coração!

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

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Quando o amigo casa (Don’t stand so close to me)

– Só tu mesmo, Alice. Porque a Laura implica demais com mulher!
– É, ela me atur… respeita porque nunca fiquei com você.
– Poisé, a gente não se pega, não se chama de migu, fofo, mimimi. Só não tem porrada mas é quase né haha.
– Quase. Canalha, mas com carinho. Até porque se eu te chamar de migu vou ter que mudar meu nome pra Laura, então deixa quieto.
– Poooooo Alice, não zoa. To apaixonadaço…

Sobre o óbvio: a namorada do teu melhor amigo será um espécime sempre muito diferente. Diferente de todo o grupo e totalmente o oposto de você. Como naquele filme da Julia Roberts onde você se torna a melhor das melhores amigas e, pra piorar, a madrinha do desquit… casamento. Eu admito que nunca foi fácil entender os desbravamentos sócio-sexuais e não raramente matrimoniais de meus melhores amigos. Mas eu tento conviver, juro. Tento até não deixar a menina deslocada nos shows das bandinhas que ela não conhece mas que acaba indo só pra não deixar o namorado sozinho (com a melhor amig…). Certa vez até expliquei pra uma das gurias “quem era” o tal dos Ramones das malditas camisetas-modinha. – Ahhhhh, é aquela banda do cara com cabelo na cara, tipo samambaia! Seeeeeeeei, valeu, Alice!.

Eu tento interagir, juro.

My-Best-Friends-Wedding

Mas nem seria o caso de desenvolver um segundo óbvio, a coisa do ciúme-posse adolescente e/ou desde a adolescência por conta de uma idealizada e mal resolvida paixão pelo melhor amigo. Porque eu acho que é bem possível em algum momento da vida curtirmos alguma espécie de tesão e/ou massagem no ego e/ou as duas coisas apenas pela bonanza de se ter alguém pra estar junto ainda que não envolva sexo. Poisé, não sei é algum sintoma de minha não-tenra idade hoje ou se por conta de meu-pouco-desespero-aleluia, mas até que tenho amigos assim, do tipo não-to-a-fim-de-transar. Bom, pelo menos até hoje.

Mas até que é bom isso. Isso de te amo seu lindo, mas não rola. Não rola porque se pensarmos demais já vai começar o mimimi e a coisa do vamo ficar junto e ter um filho – e o que eu conheço de cara que cisma que tá velho com 29 e já quer uns 3 filhos… Canalhas do meu Brasil, que neura é essa de ter filho aos vinte e nove, me explica?. Bem, já que o assunto é complicado, bora equacionar a vida de modo prático, mero e simples:

– É amor ou é sexo, Alice?
– É amor ou é sexo, Alice.

(Não, não vou postar aquela música da Rita Lee não. Música chata.)

say anything

Mas voltando. Temos então dois problemas: 1) Como lidar com a namorada do melhor amigo?; 2) Como lidar com o fato de nunca termos sido namorada do melhor amigo?

Lembrei de Bruno, um dos muitos garotos que na juventude dos vinte e dois e da Universidade já era noivo. Bruno era mesmo um cara muito sério, desses de levar a noiva até a porta da Letras e voltar atrasado pra aula em um eterno sorry ladies mas sou um cara sério.

Bruno tinha muitas amigas mas delas se afastava quando a noiva aparecia lá na Comunicação para cumprir o então papel de legítima defesa do estruturalismo matrimonial. E deu certo, porque a vida seguiu com diploma e sem melhores amigas, e o que eu soube de Bruno é que hoje ele tem um bom emprego é pai de Olívia.

Já meu amigo que casou e divorciou-se de Laura (poisé, que bom!, mas ele casou de novo) nunca privou-se de amizades. A diferença é que ele era sarcástico e sincero com as amigas: – Te valoriza, menina! Fica agarrando qualquer cara não, ainda mais se esse cara for teu amigo…

O que pode por um lado ser cruel, muito cruel! (já que você-menina somos condicionadas a sermos ‘meio menino’ pra assim nos aproximarmos destes espécimes noivos casados ou mal resolvidos), por outro, pode ser uma oportunidade para vivenciarmos sentimentos e relações ‘menos confortáveis’, onde as fronteiras entre o amor a amizade e o sexo não sejam assim um fardo, e tampouco indiscerníveis.

Lost In Translation

Everybody’s gotta learn sometime…

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alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.