Hey, Jude (judia de mim, judia)

hey jude

Nossa… você tá diferente!… Depois de uns três meses sem cruzar as fronteiras do décimo primeiro andar de escritórios onde trabalho, premeditei uma visita a um dos poucos locais propícios a uns cinco minutos de socialização (isto é, o andar com varanda para o Marlboro e uma bela máquina de cappuccino), onde, diga-se de passagem, com grande probabilidade encontraremos os caras-de-empresa coroas e bonitos e não stalkers. Poisé, certamente não stalkers, até porque Alice é ainda uma intrusa na hierarquia de cargos e salários e socializações em recintos do tipo George Clooney e cafeterias da empresa.

Pois bem, resguardados maiores detalhes profissionais nesta narrativa (todo um apelo à primeira segunda quinta whatever emenda), há um moço (não necessariamente novo) com quem eventualmente socializo, em uma regularidade de caráter tenso, com direito àquele abraço e beijinho de cumprimento. Pessoas de humanas quando encontram os outros três ou cinco exemplares de humanas da empresa (certamente coroas e amém heteros ainda) permitem-se desalinhos assim. With a little respect, claro, porque não dá pra sair pegand… socializando em abraço por aí não. Vai que a chefia tá acompanhando o big brother das não-foucaultianas câmeras dos corredores. É complicado isso.

Enfim, depois de uns três meses sem flertar junto ao cappuccino da elite, a idiota da Alice conseguiu em quatro palavras revelar às câmeras e ao tal bonito de humanas grande parte de sua patética pós-puberdade e fetiche por caras mais velhos. Nossa… você tá diferente!…, foi o que espontaneamente consegui balbuciar quando de cara com um novo par de elegantes óculos redondinhos nada John Lennon, seguido de um cabelo decididamente ondulado e uma barba muito estrategicamente grisalha. He-heeey Alice, tudo bem com você, linda? Cadê meu abraço hein?. É… Um a zero pra você, coroa bonito.

Meu caros canalhas leitores, como proceder numa situação dessas? Porque assim, o cara é um tipo que interage com a empresa em situações muito além do cappuccino (ah, as fofocas de corredor… tsc tsc). Vamo agora, vamo com charme, vamo sim? Não sei, viu.

Pois bem, pra dizer que modéstia nenhuma eu já tive, dia desses coloquei meu melhor jeans com salto e um chapéu preto, como se invocasse todos os olhares da máfia e do mercado financeiro. E homem olha pra bunda com jeans com salto, não tem câmera ou superintendente que impeça este feitio masculino. E te dizer que esta tão mera mortal Alice é de poucos jeans com salto e acessórios nada discretos, mas neste dia eu invoquei todos os tutorias de revistas femininas e decidi ir assim, dressed to kill. Efetivamente? Peguei ninguém não, mas o bonito de óculos e barba grisalha me acompanhou do martini ao elevador (poisé, tava rolando eventinho na empresa), seguido de um bora que te deixo na esquina de casa.

Em meio a umas quarenta amenidades mezzo-etílicas e algum cd de rock antigo, pensei em todas umas também quarenta possibilidades de acontecimentos e não acontecidos com este moço que tava alegrando meus humores meu culote e meu ego.

Só sei que eu despedi do moço com um pedaço de abraço e um advil na mão. Poisé, tenho que entregar um layout amanhã… É… Na próxima a gente fica só no café… É… só no café… Um beijo, linda, melhoras. Beijo, boa noite.

nespresso

Só sei que eu voltei pra casa com uma libido esquisita. E com toda uma vontade de trocar meu jeans mais caro por uma máquina de cappuccino.

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alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.

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Quando o sexo de um é o chifre de outro

traindo

Guimarães Rosa já havia dito que “viver é muito perigoso”. Independente do lado que assumirmos no universo, seja ele sobre a proteção de Deus, Alá, Buda ou o grande Espaguete Voador, depois de um tempo começamos a perceber que o nosso senso de justiça nem sempre dá certo e que, muitas e muitas vezes, não basta ser legal para ter o beijo da menina no final do filme. O cinema estadunidense tentou e tenta, todos os dias, nos convencer que no final tudo termina bem e que, se por algum motivo, seja ele qual for, as coisas não aconteceram do jeito que esperávamos, a culpa é inteiramente nossa. Reparem como os personagens traídos e maltratados do cinema são responsáveis por suas próprias derrotas… são eles: relapsos, ou cruéis, insonsos e malvados, mas, se por algum acaso, isso acontece com alguma boa personagem, no futuro se dará a correção e esse sujeito receberá um rápido retorno do universo, com juros e correções. Naquele mundo, o Karma funciona como em nenhum outro lugar.

Por aqui a coisas são um pouco mais complicadas. A vitória sobre aqueles que nos oprimiram demora um tanto bom para chegar, em alguns casos, só na próxima vida, depois de passar pelo crivo e julgamento de São Pedro. Quantos conhecemos, pessoas boas e justas, que não tiveram lá o seu quinhão… a parte que cabia a eles nesse latifúndio? E a injustiça nem é responsabilidade de pessoas tão más quanto os vilões dos filmes [vocês já repararam que até em comédias românticas têm vilões?], por aqui o maniqueísmo não vinga tão forte também.

Acontece porque acontece… simples assim, “shit happens”, já dizem os nossos amigos do norte. Acontece, simplesmente, porque o meu senso de felicidade é interferido pelo senso de felicidade de outra pessoa, porque se dois jovens se apaixonam por uma garota, ela acabará escolhendo um deles [a não ser nos casos de Poliamor ou na Teoria da Branca de Neve].

Apesar do título [eu sei, ele serviu para chamar a sua atenção], meu ponto não é exclusivamente sobre traição, mas sobre todo acaso que rege o universo e a impossibilidade de sabermos se a sorte estará ou não ao nosso lado. No fim das contas, não dá para saber e tudo fica sob a indecisão de uma aposta.

aposta

Aí o querido e a querida leitor(a) se perguntam: e por qual motivos [diabos!!] eu serei uma pessoa legal? Obviamente minha resposta não será algo com uma premiação no final ou por uma compensação direta do tipo… “deu-levou” ou “tudo retorna em dobro”. Penso de forma mais matemática, seguindo um pouco do pensamento estatístico [só um pouquinho, já que eu não sou muito bom nisso].

O mundo já tem seus perigos, suas complicações.  A indecisão do futuro já tem sua enorme parcela de culpa na nossa ansiedade, deixando-nos sempre a mercê de nossas superstições e receios. Nunca sabemos se na próxima esquina encontraremos o amor de nossas vidas ou se uma bigorna cairá sobre as nossas cabeças [queridos pré-adolescentes (ou quando este texto for lido no futuro, pelos futuros adultos) nos tempos de desenhos politicamente incorretos, bigornas caiam na cabeça dos personagens, por isso da referência]. Agora, imagine toda essa situação e alguns vários, milhares, milhões de espíritos de porco tentando atrapalhar ainda mais a nossa frágil vida em comunidade. Difícil, né?

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eumanual

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais.

Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”

Ps – Pois bem, mas no meio de tantas incertezas, queria dizer que, ainda assim, eu sou um otimista e já que iniciei com Guimarães Rosa e uma frase de efeito… nada mais justo que terminar com um pouquinho de alento e uma frase de outro gênio, Pablo Neruda, dizendo assim: “Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida”. Mesmo sabendo que esse amor é, também, incerto.

As Aventuras das Tardes

Fui daquelas crianças que viveram em frente da televisão. Adorava os filmes da Sessão da Tarde e eu mesmo queria participar de todas aquelas aventuras e ao final ganhar o beijo da Mocinha que eu salvei. Eu suspirava e não ligava para os perigos.

Eu queria ser Indiana Jones e viajam o mundo combatendo os nazistas e usando meu chicote. Na minha imaginação eu usava qualquer cinto do meu Pai para ter o meu chicote. Admito que mais de uma vez tomei umas pancadas após quebrar alguma coisa ou desaparecer com o “chicote”.

Eu crescia vendo os nerds e mais fracos da escola dando a volta por cima e conseguindo vencer os valentões. Eles sempre tinham amigos legais, uma turma bacana e fiel e eu inveja a todos eles.

Eu sonhei em embarcar no DeLorean e ir para uma data qualquer, mas se pudesse escolher eu queria ir pro futuro e ter um skate voador. Se eu pudesse escolher seria isso mesmo! E eu ia adorar também nos dias de chuvas, aquelas roupas que secavam sozinhas.

Eu cresci mas a nostalgia daqueles tempos continuam. Tardes em que os filmes eram reprisados à exaustão e mesmo assim ainda me deixam cheio de vontade de ver.

Lembro que meu fiquei louco quando descobri que havia personagens do Mortal Kombat que eram baseados nos personagens do “Os Aventureiros do Bairro Proibido”

 Eu acompanhei “Karatê Kid” e vi as sovas que aquele rapaz levou. Eu mesmo não entendia as lições do Senhor Miyagi até ver seu pupilo vencer os outros sujeitos usando as técnicas que ele havia ensinado sem que o aluno entendesse.

São tantos filmes, tantos momentos que lembram aquele menino com os olhos brilhando em frente a TV. Aquele que fantasiava ser o Mocinho de cada história e que foi crescendo e perdendo um pouco da inocência. Mas cada um destes filmes, cada uma das trilhas sonoras ainda fazem este adulto ficar com o coração batendo diferente. Este adulto aqui ainda lembra das coisas boas de quando era menino, este adulto aqui cresceu, aprendeu responsabilidades, trabalha e tem um bom salário.

Mas eu preciso dizer que este adulto aqui, este mesmo que tá escrevendo, este adulto aqui ainda vive cada história como se fosse o Herói, vive cada história salvando mocinhas e derrotando bandidos, esse adulto ainda é Arqueólogo, Policial, Herói Mascarado, Viajante Espacial e Gladiador.

Escrevendo tudo isso e repensando a vida, sei que aquele menino esta feliz. Suas aventuras vão durar para sempre aqui dentro do meu coração!

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Porto seguro (e eu dizia ainda é cedo)

É… é isso. É, é bem isso. Eu sei… Tudo bem então? É, tudo… Que bom, Alice… É, tá tudo bem.

E foi num monólogo assim que nos encontramos. Como se desconhecidos até então, em um mundo que o outro não disse e não poderíamos dizer; foi numa vida monótona, que outrora uma e novamente agora duas, foi num tumulto desses que nos encontramos.

Porque é preciso enxergar de longe; semana que vem ou hoje talvez você escreva e eu ainda não o veja; tudo tão perto ainda.

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Outubro de 2008.

Oi!…, queria falar com você… Oi!… então… fala. Tudo bem? Tudo bem, e você? Eu… eu já não sei…

Eis o primeiro dia, de inquietas mãos e brados cardíacos. Havia muito a ser dito, mas éramos todo não-dito.

Até hoje, eu diria.

Até ontem, eu diria.

Sei que ela terminou
O que eu não comecei

De um jeito que não entendo, B. Gosto quando me chama de Bê, Alice.

E tudo ficou tão perto demais. Ensimesmados em pele e corpo e sentidos, perderam-se em si mesmos. Até o dia em que sumiram e reencontraram-se na despedida.

Há dias em que é preciso abandonar o porto.

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Outubro de 2013.

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alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.

Esmalte, Maquiagem e a Paulista

Bem antes do querido Criolo cantar que não existe amor em São Paulo, eu fui por aquelas bandas passar uns dias. Tenho várias estórias bacanas para contar, mas segue uma bem inusitada.

A festa da véspera tinha sido fantástica. Nela os homens estavam vestidos de mulher e as mulheres de homem. Fui arrumado por algumas amigas e elas capricharam bastante. Maquiagem completa, esmalte vermelho na unha e batom. Lembro que a festa só terminou ao amanhecer e na energia que ainda estava, não consegui dormir por nada. Eis que me junto a outro grupo de pessoas e resolvemos dar uma volta na Av. Paulista.  Troquei de roupa e logo segui o pessoal.

Já no metrô eu notava as pessoas me encarando ou dando uma daquelas olhadas furtivas, algumas riam, outras faziam cara de espanto e mais de uma fez cara feia. é nesta hora que você descobre porque seus amigos estavam rindo bastante quando você disse que ia acompanhá-los no passeio. Eu no alto do meu desconhecimento sobre maquiagem não sabia que os produtos que as meninas usaram em mim não saia com água.  Ai vocês imaginam comigo: Um sujeito de 1,80, moreno, cabelo curto, esmalte vermelho vivo nas unhas, lápis de olho às 9 da manhã andando por São Paulo. Ok, não devia causar estranhamento nenhum, mas não sei porque, naquele dia estava causando.

Descemos na Paulista e seguimos passeando. Paramos para tirar foto, uma ou outra pessoa chegava pra conversar e íamos tranquilos. Eis que resolvemos comer porcaria e entramos em um McDonalds da vida. O Atendente tinha aquela cara de paisagem característica de quem não gosta nem um pouco do trabalho e que traz indícios de que a vida dele não anda lá essas coisas. Faço meu pedido e enquanto esperava, apoiei as mãos no balcão.  O Esmalte cintilou, atraiu a atenção dos que estavam ao redor e o atendente arregalou os olhos, fez aquela cara de espanto e ficou meio segundo sem reação. Quando voltou ao normal me pediu desculpas e foi logo cuidar do meu pedido.

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Depois da Lanchonete ainda andamos bastante por Sampa até voltar para o alojamento e as meninas liberarem acetona e removedor de maquiagem para mim. Rimos bastante da história e as meninas só tiveram um veredito disso tudo:

– Eu fico Muito Feio Vestido de mulher…

(Mas Carnaval eu não deixo de vestir mesmo!)

Em Tempo: O Canalha Sentimental Marchiori esta andando lá pela terra da Garoa. Quem Quiser pode chamá-lo para uma cerveja e um café. Mas não esperem que ele apareça de maquiagem.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Me and Mrs. Jones

marvin gay e tammi terrell

Só sei que essa é das músicas mais intrigantes de todos os tempos. Billy Paul e sussurro no ouvido, quem nunca?

Clique para acessar o discman de Alice.

Um viva à vida que se desdobra e recorda e se acoberta! E uma grande saudação a todos os sentimentais canalhas que se retorcem nas sílabas deste grande clássico da discografia canalha!

Holding hands, making all kinds of plans
While the jukebox plays our favorite song

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alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.

A prostituta e o escritor

prostituição

Então esse sujeito, o personagem principal dessa pequena história, tinha um caso com uma prostituta. Apaixonado por ela e também sustentado pelo dinheiro que ela conseguia na noite, não trabalhava e vivia escrevendo seus contos, até então, nenhum havia sido aceito em qualquer revista ou editora que tentara. Certo dia, deitado na cama enquanto a jovem se arrumava para sair, ficou ali pensando na situação degradante em que ele vivia. Pensou seriamente no papel que ele, homem, estava fazendo sendo sustentado por ela… pior, sentiu-se  enciumado e decidiu dar um basta naquilo tudo, de uma vez por todas. Enquanto ela arrumava para o trabalho, ele levantou da cama e disse em tom grave:

_ Não gosto que você saia para as ruas… você é minha mulher e deve largar essa vida.

Muito calmamente ela larga o lápis com o qual modelava os olhos, vira-se para ele e responde:

_ Mas por quê?

_ Por quê? Pense bem, você é uma prostituta, como eu posso me sentir confiante, como eu posso me sentir homem?

_ Acho que você tem todos os motivos do mundo pra se sentir confiante sim!

_ Mas…

_ Escuta querido, eu passo as noites vendo os mais diferentes tipos de caralhos, de todos os formatos e tamanhos… faço sexo de todas as maneiras imagináveis. Se eu volto pra você, é porque eu te amo!

E o resto foi silêncio…

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eumanual

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais.

Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”

Eu nunca fui o Rei da Balada

Quando eu era moleque a guria mais bonita era também a mais rica. Assim posto, eu nunca poderia me aproximar dela, na verdade me ensinaram que nunca deveria romper a barreira das classes. Desta forma eu vivia sempre estas paixões platônicas pelas meninas ricas e rezava sempre para meus pais ganharem na loteria e um dia eu conseguir ter alguma oportunidade. Na época a única forma de mudar de classe era virar político ou ganhar na loteria.

Analogias

Conforme fui crescendo e tendo eu trabalhar, vi que o abismo só aumentava. Mais de uma vez eu precisava ir embora, pois muitos pais não confiavam que o rapaz do bairro pobre poderia ficar estudando, mesmo sendo ele o mais inteligente e que fora ali ajudar a filha deles com a matéria.

Mas segui a vida suspirando. Aceitando minha sina e sempre renegado a nunca ter aquelas garotas de sonho. Chega uma hora que você aceita isso e segue a vida. Mais de uma vez eu mesmo replicava o que me foi ensinado quando esnobava alguma guria do bairro por ela não ser a mais “Bonita“ e não usar as roupas e adereços da moda. Felizmente isso um dia acabou e eu vivi grandes amores em meio as que eram da minha “classe”. Aquelas meninas suportaram bastante um garoto maluco e sem noção.

Eis que passo na universidade e sou jogado em um lugar em que poderia dedicar-me aos estudos e pensar em condições melhores de vida. Os meus tempos de faculdade foram os mas difíceis e os de maior aprendizado para a vida. Aprendi bem mais do que eu poderia esperar, aprendi bem mais que uma profissão. Enfim, na universidade eu estava lado a lado com princesas, com filhinhas-de-papai. Aprendi a duras penas que não adiantava ficar me lamentando e quietinho no meu canto. Aprendi que era só ter um papo bacana, conseguir quebrar o gelo e não pisar na bola que minhas chances aumentavam em muito.

Eram tempos estranhos, Meu Irmão. Eu passava fome em casa e saia para a balada bancado pelas meninas que eu ficava. Mais de uma vez fui chamado de gigolô, mas não ligava, eu estava entrando pela porta dos fundos nas mansões que sempre me foram fechadas. Eu estava no topo do mundo e ninguém podia me derrubar.

Eu não era bonito assim.

Tenho que assumir que me livrar de algumas destas relações foi difícil. Eu ficava dependente e era difícil largar e voltar para o meu feijão com arroz suado, mas logo acabei voltando à realidade e não cedendo ao deslumbre que o vil metal havia me dado.

Hoje tenho uma vida bem tranquila, já não preciso contar tanto as moedas para sair. Já posso ser eu mesmo e me envolver em relações baseadas no amor e na atração que sinto pela outra pessoa. Estou bem mais feliz e bem mais calmo que antigamente e admito que estou até um pouco mais gordo.

Sei que este texto não pode mudar o passado, sei que com ele não apago nenhum dos meus erros e falhas, mas queria sinceramente que pelo um garoto que pensava como eu leia este texto. Quero sinceramente que este texto o faça pensar que ele não precisa ser o “Rei da Balada” ou qualquer coisa parecida. Queria dizer pra este garoto que o dinheiro só vai trazer problemas diferentes para ele e que o que o mundo vende nunca é suficiente para chegar à satisfação. Quero dizer pra este cara que o carro que ele sonha em ter, as festas em que irá, o dinheiro que ele fará tudo para ter, não irão torná-lo melhor. Eu queria dizer que este garoto pode um dia ter tanto dinheiro que ao gastá-lo parecerá ridículo. Eu quero dizer para este garoto que existe muito mais coisas que o dinheiro não compra do que ele pode imaginar e que por mais que o mundo o faça engolir isso, ele ainda deve lutar. Eu quero dizer pra este garoto que se ele for a uma balada e perder uma oportunidade porque a outra pessoa esta interessada em dinheiro, ele estará se safando de uma enrascada tremenda. Eu quero dizer pra este garoto que ele pode sim ser feliz com uns tostões no bolso e que pode ter chances com a pessoa que ele quiser. E quero dizer pro garoto que ele só precisa não ser um babaca. Com esta dica o mundo já vai ser bem melhor que qualquer camarote governado por qualquer Monarca que precisa compensar o vazio de sua alma com gastos desmedidos. Eu quero dizer pro Garoto que a batalha vencida com poucos recursos mostra que ele é um bom estrategista e que dele eu me orgulho. E se alguém tiver uma máquina do tempo por ai, me faz um favor:

Volta lá um tanto e diz isso tudo para o garoto que eu fui…

Eu era bem elegante

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Alice’s day off (ou Enciclopédia Ilustrada de Férias)

Aniversário + nem sempre sol + férias = Alice, curtindo uma boa sessão da tarde, com longas noites de vodka, barba (er…) e gim. Eu poderia escrever um diário e/ou um Instagram mas ainda prefiro deixar as coisas não-ditas. Com ou sem bebida, mas preferencialmente com pouca bebida, que é pra não rolar uma ligação-vexame e/ou pegação com algum ex perdido.

curtindo a vida adoidado

Pois bem, férias é também sinônimo para listas. De coisas, lugares, pessoas, ócio, discos e livros. Alta fidelidade diz oi, mas vou citar um filme antiguinho, assistam também:

outsiders(Bande à part, 1964)

Aliás, ganhei de aniversário um livro desses de romancinho-sado, 50 tons só que sem vampiros.  E enquanto rasgava o papel dourado que embrulhava o presente, meu ex-peguete brindou a ocasião com um beijo no rosto e votos de Espero que goste! Vai apimentar tuas histórias!. E eu pensando onde foi que eu errei com esse menino.

Stereophonics(O tédio do dia seguinte. Ou do mesmo dia.)

E por falar em beijo, quero dar os parabéns a todos os meninos que um dia aprenderam a arte de perfumar a barba e/ou o pescoço na medida certa! Porque não basta infestar a mocinha com a tua fragrância. Tem que ser sutil o experimento. E em alguns dos Parabéns, Alice! recebidos, percebi uma boa safra de cheiros novos e abraços cítricos. É… Estariam os meninos deixando de ser apenas meninos? Taí algo digno de constatação. E pulga atrás da orelha. Mas não importa, continuem assim, meninos! Que se um dia faltar assunto com a mocinha, é só chegar junto que alguma mínima coisa pode de repente acontecer.

Até a volta, pessoal! Que a semana de todos seja saudável! E que o fígado e os amores estejam prontos para o próximo happy hour, skype ou sexta-feira. Beijos.

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alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.

Dormir de conchinha

Dormir de Conchinha

Ah, que fofura e gostosura dormir de conchinha com a pessoa amada!! Melhor ainda, é acordar com seu corpo numa espécie de lamba-funk envolvente quando tudo o que o seu cérebro quer é que o seus braços o obedeçam, as pernas se movimentem de forma coordenada e que sua coluna na acuse a sessão de tortura chinesa a que você foi vítima nas últimas sete ou oito horas.

É neste exato momento que caminhar tranquilamente até a cozinha para um copo d’água ou uma xícara de café transforma-se num dos 12 trabalhos de Hércules… ou seria de hérnia?! Mas não se preocupe, você não está só. Todo mundo tem um pouco de faquir no início do namoro. Contudo, todavia e entretanto, não vá pensando você que está aqui uma defesa por camas separadas, linhas fronteiriças militarmente demarcadas e fortemente guardadas no leito, ou um diálogo noturno que se limite a um boa noite e um beijo na testa em nome do conforto.

Dormir de conchinha é um passo importante em toda relação. Há quem diga que o dormir de conchinha, sem ter sido precedido pelo sexo, é a mais singela e honesta declaração de amor. Penso que sim, mas também pode ser que não. Talvez não haja aí muito consenso. Mas uma coisa não dá pra negar, há aí, nessa formar de dormir dos pombinhos, uma intimidade tremenda. Nunca vi ninguém se aventurando por aí numa sonífera conchinha com qualquer um. Há aqueles que têm tórridas noites juntos, mas que na hora de dormir é um pra lá e outro pra cá. Há os que demoram mais tempo a se habituarem em dividir o leito, outros menos. Uns nem cogitam a hipótese de caírem nos braços de Morfeu em leito alheio. O certo é que encontrar o denominador comum nessa equação indica que há também um progresso na relação.

E mora aí uma questão séria, mais séria pensar. Afinal de contas, quem é que nunca acordou desesperado de um pesadelo no qual estava sendo violentamente esmagado, ou mesmo sufocado, e ao acordar se deparou com uma perna ou braço do mancebo ou da cria de costela a lhe comprimir funções vitais?! Outros tantos já tiveram a sensação de estarem caindo de um precipício quando, na verdade, aquele ser de meros 1,55 m. estava, de fato, ocupando toda a diagonal de uma cama que tem o dobro de seu tamanho?!

Dormir de conchinha, porém, deveria ser algo que todos os casais fizessem questão em seus relacionamentos. Todos os dias e sempre que puderem…por 30 a 40 minutos. Isso faz bem ao coração, libera os neurotransmissores, hormônios e ajuda na intimidade do casal. Mas é tipo a sesta, tem um tempo ideal. Caso contrário, o que te espera na manhã seguinte é um lamba-zouk-african-dance sambando na sua lordose.