As aventuras da escrita de um amador – O Processo

máquina de escrever
Há algumas semanas eu enrolava para escrever estes textos. Eu imaginei pelo menos dez ideias diferentes e um sem-número de versões de cada uma. Eu queria escrever tantos textos, mas a preguiça veio atrapalhando minha produção. Mas pensando bem, não sei se é somente ela a responsável pelo meu problema.

Mais de uma vez eu sentei em minha escrivaninha e comecei os esboços. De alguma forma eu olhava para todos e encontrava os mais variados problemas para finalizar a escrita. Seja a distração advinda da internet, seja um senso crítico voraz e sem piedade das frases ainda sem tratamento. Cheguei até a terminar um texto e empacar logo após enviar para os meus leitores críticos (namorada e dois amigos). Mas porque eu não pegava logo um texto e ia até o final?

Admito que tenho um medo enorme de finais. Chega a beirar o pânico. Pegar a ideia, ir moldando, criando argumentos, conflitos e tramas é coisa bem tranquila se comparada com o final. Acho que quando vou me aproximando dos derradeiros momentos, preciso encontrar a melhor forma de despedir de algo criado por mim, um pedaço de minha dedicação e cuidado. Sem contar as tantas vezes que estraguei materiais interessantes com finais medíocres. E mais de uma vez salvei textos de argumentos nebulosos e confusos com finais bem produzidos.

Me angustia também saber que o material já está pronto para ser compartilhado. É a hora em que a minha produção sai para o mundo e irá enfrentar toda sorte de destinos. Já tive material utilizado em cursos, publicado m revistas virtuais, distribuído em eventos e até compilado em um livro que nunca foi publicado. Muitas produções tiveram destinos bem piores que o lixo, mas sempre preciso lembrar que isso está muito além do meu controle. Mesmo sabendo disso, o incomodo ainda me impede muitas vezes de trabalhar. Às vezes, tudo vem em forma de preguiça, falta de tempo ou tempo demais. Às vezes, são ideias em excesso impedindo um pouco que seja de concentração, mas aos trancos e barrancos alguma coisa sai.

Levando em conta tudo isso, cada produção é uma vitória. É o resultado de batalhas internas tremendas e que até mesmo o processo pode gerar boas narrativas. Quando termino sinto um alivio tremendo, como se o um peso do tamanho do mundo fosse tirando de minhas costas. Mas essa sensação não dura muito e logo a mente já fica agitada e uma pergunta volta a fervilhar:
Sobre o que escrevei agora?

Em tempo: Temos cá um ótimo texto falando também sobre este processo – http://www.andretimm.com/blog/13525606

____________________________________________________________________________________________________________

jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Anúncios

A TERRÍVEL SINA DO AMIGO

Como todos sabem, – se não sabem, ficarão sabendo agora – não há nada mais broxante que ser chamado de amigo.
Não estou falando que é ruim ser chamado ou ser considerado assim, mas todo homem teme a tão famosa friendzone.
Imaginem a cena:
O cara acorda determinado, toma seu banho pensando no seu dia. Trabalha o dia inteiro só pensando em como será a noite.
Se prepara. Vai pra casa voando, toma dois banhos pra garantir. Veste uma roupa bacana, vai pra frente do espelho e ensaia o que irá dizer. – Está tudo errado! – Recomeça o discurso. Toma outro banho e ensaia mais um pouco embaixo do chuveiro.
Sai do banho, olha as horas – Faltam 45 minutos – Troca de roupa mais duas vezes, acerta os últimos detalhes do discurso e sai de casa.
No caminho passa numa floricultura e numa loja de chocolates.
Está tudo pronto!
Munido de todas as armas ele para na frente da casa dela.
Confiante!
Corajoso!
Destemido!
Ela abre a porta, ele entrega os presentes pra ela e antes de começar o tão ensaiado discurso ouve a seguinte frase;
– Que fofo MIGO! Você é meu BEST.
PRONTO! A surpresa de aniversário já era. O declaração de amor já era também. A auto-estima, a coragem e a confiança já estão do outro lado da rua indo embora de cabeça baixa.
img06 
Pois é!
O camarada em questão broxou.
Estava todo empolgado, animado e confiante e em menos de 30 segundos tudo isso acabou.
Pode ser que a moça em questão não tenha dito isso como uma forma de afastar as segundas intenções do rapaz, porém ela conseguiu isso com maestria.
Seria muito mais fácil se as mulheres conseguissem ler esses comportamentos que nós apresentamos independente da idade.
Se não querem nada conosco, nos falem.
E se por ventura existir pelo menos uma remota possibilidade de que vocês tenham algo com esse cara, pelo amor de D’us não o chame de amigo! NUNCA!
Pois chamar um cara de migo, amigo, best ou qualquer outra coisa assim é o maior anti-viagra que existe.
———————————————————————————————————————————–

dann  Dann Toledo

Semi-psicólogo metido a escritor e pseudo poeta.
Colaborador do Manual Prático do Canalha Sentimental e Criador do site Psicoquê?

Meninos tímidos

bridget-jones

– Bem, então, como você sabe, meu nome é Daniel… risos… e… e eu voltei pro Rio há uns meses, tava em Londres, estudando, e… Esse barzinho é novo? Tanta coisa nova em Botafogo….

– É…o barzinho é novo… O chopp daqui é muito bom.. e…

– … e… então, que bom que a gente marcou… pra se conhecer melhor… conversar…

O nome disso? Menino nerd de sobrenome judeu e timidez britânica mandando um papinho de adolescente carioca. Poisé. Esses tipos ainda aparecem na vida de Alice. Em um momento de fraqueza (por olhos azuis quase transparentes), admito.

Hugh-grant-mugshot

Atores como Hugh Grant e Colin Firth (ambos britânicos e cinquentões, opa!) construiram uma base de fãs cuja fraqueza cultural e visual alimentava-se de seus personagens de sotaque originalmente aristocrático. Uma forte alternativa aos sarados de Velozes e Furiosos e demais produções do tipo pegação e violência em Nova Iorque.

Mas a vida fora do imaginário e das telas não é nada disso e o que a gente encontra é um bando de meninos E aí, vamos sair?, cuja postura vai do tímido não me beija senão apaixono e saio correndo ao brega-carioca que te chama de princesa e te dedica um pagode na jukebox ou no videokê.

Daí que a idéia de sair com caras bonzinhos (já que evito personagens do tipo pagode e Whey Protein) pode também ser cansativa. Mas caras bonzinhos, em algum momento da vida, até que cansam de ser tímido-bonzinhos. Então, há esperança out there!

Assim esperamos… Porque essa ‘educação sentimental’ que vem dos filmes nem sempre funciona. Se é que em algum dia já funcionou. Talvez na época de nossos pais, onde aprendia-se pose e elegância com Cary Grant e alguma rebeldia e bons penteados com John Travolta e James Dean.

Blue-eyed boy meets a brown-eyed girl
Oh oh oh, the sweetest thing

Conheci Daniel em uma circunstância acadêmica. Cenário ruim, pois há todo um contingente de pós-universitários que deixam a libido em casa e não voltam pra buscar. Mas Daniel era daqueles garotos que já no primeiro oi ficam excessivamente vermelhos, e meu ego na época achou isso bonitinho. Então bora dar uma chance pro menino que durante o coffee break do evento anotou meu email pra que pudesse me encaminhar alguma coisa que diante de seus olhos azuis e sardas eu não sinceramente não ouvi.

Daí passou uma semana, duas, um mês, e quando chegou o tal email eu já tava achando que era spam ou mensagem de algum peguete de festinha esquecida. Não, não era um peguete ainda, mas concordei em sair com o menino, que ficou vermelho e brindou com Bohemia o primeiro parágrafo deste texto.

A questão é: nada contra meninos tímidos. Mas, como tudo na vida, é preciso aprender a jogar com isso. E jogar da ‘maneira certa’, afinal, o behaviorismo que a gente aprende na escola taí pra isso, pra nos fazer entender… ou melhor, responder (ainda que desengonçadamente e com pouco sucesso) às respostas do outro que tá dividindo o bar com a gente.

Porque o importante é o clichê da tentativa. Sair correndo não evita apenas o sexo ou quiçá um singelo beijo; não tentar é deixar de conhecer esse alguém que, mesmo que não se torne um amante, por alguma circunstância desconhecida do destino está exatamente agora na sua frente, dividindo uma palestra ou uma cerveja, e compartilhando alguma inesperada afetividade contigo.

Deveríamos desde cedo aprender a não idealizar Hugh Grants. Porque Hugh Grants podem um dia querer uma vida menos acadêmica, tímida e perfeita, mas isso é algo que nem as mulheres e muito menos o cinema dizem pra esses meninos. Daí acontece isso, eles sorriem e mandam um email, e você fica sem jeito de dizer pro Hughinho que é ok não transar e muito menos se apaixonar, e que ele não precisa sair correndo por conta disso. Afinal, há infinitas formas de se estar junto. A gente só não tá é muito acostumado a viver assim…

Dá licença Nabokov

Data máxima venia ao famoso lepidopterista e responsável por dar forma e letra a uma das figuras mais marcantes do nosso imaginário erótico, hoje eu vou de Balzac e Sergio Reis.

LOLITA - FILM

Ante a tantos fibroblastos, projetos de bunda na nuca, exposição facebuqueana e fotos com bico de pato, a que se fazer um desagravo às balzaquianas, aquelas que vivem “o ápice poético da vida das mulheres”.  Afinal de contas, “Menina nova é muito bom, mas mete medo/Não tem segredo e vive falando à toa”.

Não sei quando nem como a minha admiração por mulheres mais velhas (e aqui vou usar “mais velhas” sim, pois se trata de um elogio.) começou. O fato é que sempre nas novelas, filmes e revistas, foram elas que mais me chamaram atenção. Obviamente que quando menino (e ainda hoje) tinha e tenho minhas ninfetinhas do momento. Ah, mas basta aparecer uma Ângela Vieira, Julianne Moore, Sophie Okonedo, Sonia Braga, Claudia Alencar, Camila Pitanga, Monica Bellucci, Letícia Sabatella, Cris Vianna, Patrícia Pillar, etc., etc., etc. lá se vai toda minha atenção.

Acredito que minha avó e meu pai (calma tio Freud) sejam minhas grandes influências e responsáveis por esse meu gosto. Dois grandes admiradores dos filmes das décadas de 50 e 60 me apresentaram belezas como as de Sophia Loren, Ava Gardner, Rita Hayworth, Vivien Leigh, Lauren Bacall e por aí vai.

elas

You tá de brinqueichon uite me, cara?!

Por outro lado, existem diversos clichês que cercam o universo das mulheres mais velhas: são como o vinho, é a possibilidade de uma transa de uma noite só, sem a “neura” do dia seguinte das novinhas. Já outros são mais levianos: toda solteirona depois dos 40 é uma devassa, vadia que só quer saber de sexo fácil, rodada e por aí vai. Para os que pensam assim, eu indico que leiam esse texto aqui.

Não penso que a idade seja, em si, a questão nisso tudo. Existem mulheres mais novas muito mais maduras que um bando de “coroa” por aí. Assim como, existe muita “coroa” fazendo papelão, tentando agir como se tivesse 20 anos (não vou adentrar no universo masculino nesse quesito, pois nele, perdemos feio). Mas ainda assim, acho que há algo de errado quando nossas musas têm cada vez menos idade e não passam de uma babe-face montada num corpo escultural. Basta voltar nossos olhos para as novelas, filmes, séries e revistas, uma mulher com mais de 30 anos já é considerada uma “mulher mais velha”. Tão querendo o quê? Fazer com que as mulheres sigam os padrões de um atleta, de um jogador de futebol? Passou dos 30 já é fim de carreira? Ah, perdoai-vos pai, eles não sabem o que dizem.

Hey, Jude (judia de mim, judia)

hey jude

Nossa… você tá diferente!… Depois de uns três meses sem cruzar as fronteiras do décimo primeiro andar de escritórios onde trabalho, premeditei uma visita a um dos poucos locais propícios a uns cinco minutos de socialização (isto é, o andar com varanda para o Marlboro e uma bela máquina de cappuccino), onde, diga-se de passagem, com grande probabilidade encontraremos os caras-de-empresa coroas e bonitos e não stalkers. Poisé, certamente não stalkers, até porque Alice é ainda uma intrusa na hierarquia de cargos e salários e socializações em recintos do tipo George Clooney e cafeterias da empresa.

Pois bem, resguardados maiores detalhes profissionais nesta narrativa (todo um apelo à primeira segunda quinta whatever emenda), há um moço (não necessariamente novo) com quem eventualmente socializo, em uma regularidade de caráter tenso, com direito àquele abraço e beijinho de cumprimento. Pessoas de humanas quando encontram os outros três ou cinco exemplares de humanas da empresa (certamente coroas e amém heteros ainda) permitem-se desalinhos assim. With a little respect, claro, porque não dá pra sair pegand… socializando em abraço por aí não. Vai que a chefia tá acompanhando o big brother das não-foucaultianas câmeras dos corredores. É complicado isso.

Enfim, depois de uns três meses sem flertar junto ao cappuccino da elite, a idiota da Alice conseguiu em quatro palavras revelar às câmeras e ao tal bonito de humanas grande parte de sua patética pós-puberdade e fetiche por caras mais velhos. Nossa… você tá diferente!…, foi o que espontaneamente consegui balbuciar quando de cara com um novo par de elegantes óculos redondinhos nada John Lennon, seguido de um cabelo decididamente ondulado e uma barba muito estrategicamente grisalha. He-heeey Alice, tudo bem com você, linda? Cadê meu abraço hein?. É… Um a zero pra você, coroa bonito.

Meu caros canalhas leitores, como proceder numa situação dessas? Porque assim, o cara é um tipo que interage com a empresa em situações muito além do cappuccino (ah, as fofocas de corredor… tsc tsc). Vamo agora, vamo com charme, vamo sim? Não sei, viu.

Pois bem, pra dizer que modéstia nenhuma eu já tive, dia desses coloquei meu melhor jeans com salto e um chapéu preto, como se invocasse todos os olhares da máfia e do mercado financeiro. E homem olha pra bunda com jeans com salto, não tem câmera ou superintendente que impeça este feitio masculino. E te dizer que esta tão mera mortal Alice é de poucos jeans com salto e acessórios nada discretos, mas neste dia eu invoquei todos os tutorias de revistas femininas e decidi ir assim, dressed to kill. Efetivamente? Peguei ninguém não, mas o bonito de óculos e barba grisalha me acompanhou do martini ao elevador (poisé, tava rolando eventinho na empresa), seguido de um bora que te deixo na esquina de casa.

Em meio a umas quarenta amenidades mezzo-etílicas e algum cd de rock antigo, pensei em todas umas também quarenta possibilidades de acontecimentos e não acontecidos com este moço que tava alegrando meus humores meu culote e meu ego.

Só sei que eu despedi do moço com um pedaço de abraço e um advil na mão. Poisé, tenho que entregar um layout amanhã… É… Na próxima a gente fica só no café… É… só no café… Um beijo, linda, melhoras. Beijo, boa noite.

nespresso

Só sei que eu voltei pra casa com uma libido esquisita. E com toda uma vontade de trocar meu jeans mais caro por uma máquina de cappuccino.

——————————————————————————————————————-

alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.

Quando o sexo de um é o chifre de outro

traindo

Guimarães Rosa já havia dito que “viver é muito perigoso”. Independente do lado que assumirmos no universo, seja ele sobre a proteção de Deus, Alá, Buda ou o grande Espaguete Voador, depois de um tempo começamos a perceber que o nosso senso de justiça nem sempre dá certo e que, muitas e muitas vezes, não basta ser legal para ter o beijo da menina no final do filme. O cinema estadunidense tentou e tenta, todos os dias, nos convencer que no final tudo termina bem e que, se por algum motivo, seja ele qual for, as coisas não aconteceram do jeito que esperávamos, a culpa é inteiramente nossa. Reparem como os personagens traídos e maltratados do cinema são responsáveis por suas próprias derrotas… são eles: relapsos, ou cruéis, insonsos e malvados, mas, se por algum acaso, isso acontece com alguma boa personagem, no futuro se dará a correção e esse sujeito receberá um rápido retorno do universo, com juros e correções. Naquele mundo, o Karma funciona como em nenhum outro lugar.

Por aqui a coisas são um pouco mais complicadas. A vitória sobre aqueles que nos oprimiram demora um tanto bom para chegar, em alguns casos, só na próxima vida, depois de passar pelo crivo e julgamento de São Pedro. Quantos conhecemos, pessoas boas e justas, que não tiveram lá o seu quinhão… a parte que cabia a eles nesse latifúndio? E a injustiça nem é responsabilidade de pessoas tão más quanto os vilões dos filmes [vocês já repararam que até em comédias românticas têm vilões?], por aqui o maniqueísmo não vinga tão forte também.

Acontece porque acontece… simples assim, “shit happens”, já dizem os nossos amigos do norte. Acontece, simplesmente, porque o meu senso de felicidade é interferido pelo senso de felicidade de outra pessoa, porque se dois jovens se apaixonam por uma garota, ela acabará escolhendo um deles [a não ser nos casos de Poliamor ou na Teoria da Branca de Neve].

Apesar do título [eu sei, ele serviu para chamar a sua atenção], meu ponto não é exclusivamente sobre traição, mas sobre todo acaso que rege o universo e a impossibilidade de sabermos se a sorte estará ou não ao nosso lado. No fim das contas, não dá para saber e tudo fica sob a indecisão de uma aposta.

aposta

Aí o querido e a querida leitor(a) se perguntam: e por qual motivos [diabos!!] eu serei uma pessoa legal? Obviamente minha resposta não será algo com uma premiação no final ou por uma compensação direta do tipo… “deu-levou” ou “tudo retorna em dobro”. Penso de forma mais matemática, seguindo um pouco do pensamento estatístico [só um pouquinho, já que eu não sou muito bom nisso].

O mundo já tem seus perigos, suas complicações.  A indecisão do futuro já tem sua enorme parcela de culpa na nossa ansiedade, deixando-nos sempre a mercê de nossas superstições e receios. Nunca sabemos se na próxima esquina encontraremos o amor de nossas vidas ou se uma bigorna cairá sobre as nossas cabeças [queridos pré-adolescentes (ou quando este texto for lido no futuro, pelos futuros adultos) nos tempos de desenhos politicamente incorretos, bigornas caiam na cabeça dos personagens, por isso da referência]. Agora, imagine toda essa situação e alguns vários, milhares, milhões de espíritos de porco tentando atrapalhar ainda mais a nossa frágil vida em comunidade. Difícil, né?

————————————————————————————————————-

eumanual

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais.

Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”

Ps – Pois bem, mas no meio de tantas incertezas, queria dizer que, ainda assim, eu sou um otimista e já que iniciei com Guimarães Rosa e uma frase de efeito… nada mais justo que terminar com um pouquinho de alento e uma frase de outro gênio, Pablo Neruda, dizendo assim: “Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida”. Mesmo sabendo que esse amor é, também, incerto.

Porto seguro (e eu dizia ainda é cedo)

É… é isso. É, é bem isso. Eu sei… Tudo bem então? É, tudo… Que bom, Alice… É, tá tudo bem.

E foi num monólogo assim que nos encontramos. Como se desconhecidos até então, em um mundo que o outro não disse e não poderíamos dizer; foi numa vida monótona, que outrora uma e novamente agora duas, foi num tumulto desses que nos encontramos.

Porque é preciso enxergar de longe; semana que vem ou hoje talvez você escreva e eu ainda não o veja; tudo tão perto ainda.

eternal-sunshine-of-the-spotless-mind

Outubro de 2008.

Oi!…, queria falar com você… Oi!… então… fala. Tudo bem? Tudo bem, e você? Eu… eu já não sei…

Eis o primeiro dia, de inquietas mãos e brados cardíacos. Havia muito a ser dito, mas éramos todo não-dito.

Até hoje, eu diria.

Até ontem, eu diria.

Sei que ela terminou
O que eu não comecei

De um jeito que não entendo, B. Gosto quando me chama de Bê, Alice.

E tudo ficou tão perto demais. Ensimesmados em pele e corpo e sentidos, perderam-se em si mesmos. Até o dia em que sumiram e reencontraram-se na despedida.

Há dias em que é preciso abandonar o porto.

Lost_in_Translation

Outubro de 2013.

——————————————————————————————————–

alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.

Esmalte, Maquiagem e a Paulista

Bem antes do querido Criolo cantar que não existe amor em São Paulo, eu fui por aquelas bandas passar uns dias. Tenho várias estórias bacanas para contar, mas segue uma bem inusitada.

A festa da véspera tinha sido fantástica. Nela os homens estavam vestidos de mulher e as mulheres de homem. Fui arrumado por algumas amigas e elas capricharam bastante. Maquiagem completa, esmalte vermelho na unha e batom. Lembro que a festa só terminou ao amanhecer e na energia que ainda estava, não consegui dormir por nada. Eis que me junto a outro grupo de pessoas e resolvemos dar uma volta na Av. Paulista.  Troquei de roupa e logo segui o pessoal.

Já no metrô eu notava as pessoas me encarando ou dando uma daquelas olhadas furtivas, algumas riam, outras faziam cara de espanto e mais de uma fez cara feia. é nesta hora que você descobre porque seus amigos estavam rindo bastante quando você disse que ia acompanhá-los no passeio. Eu no alto do meu desconhecimento sobre maquiagem não sabia que os produtos que as meninas usaram em mim não saia com água.  Ai vocês imaginam comigo: Um sujeito de 1,80, moreno, cabelo curto, esmalte vermelho vivo nas unhas, lápis de olho às 9 da manhã andando por São Paulo. Ok, não devia causar estranhamento nenhum, mas não sei porque, naquele dia estava causando.

Descemos na Paulista e seguimos passeando. Paramos para tirar foto, uma ou outra pessoa chegava pra conversar e íamos tranquilos. Eis que resolvemos comer porcaria e entramos em um McDonalds da vida. O Atendente tinha aquela cara de paisagem característica de quem não gosta nem um pouco do trabalho e que traz indícios de que a vida dele não anda lá essas coisas. Faço meu pedido e enquanto esperava, apoiei as mãos no balcão.  O Esmalte cintilou, atraiu a atenção dos que estavam ao redor e o atendente arregalou os olhos, fez aquela cara de espanto e ficou meio segundo sem reação. Quando voltou ao normal me pediu desculpas e foi logo cuidar do meu pedido.

281537_229196107112417_100000660893634_776889_4569681_n

Depois da Lanchonete ainda andamos bastante por Sampa até voltar para o alojamento e as meninas liberarem acetona e removedor de maquiagem para mim. Rimos bastante da história e as meninas só tiveram um veredito disso tudo:

– Eu fico Muito Feio Vestido de mulher…

(Mas Carnaval eu não deixo de vestir mesmo!)

Em Tempo: O Canalha Sentimental Marchiori esta andando lá pela terra da Garoa. Quem Quiser pode chamá-lo para uma cerveja e um café. Mas não esperem que ele apareça de maquiagem.

____________________________________________________________________________________________________________

jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Me and Mrs. Jones

marvin gay e tammi terrell

Só sei que essa é das músicas mais intrigantes de todos os tempos. Billy Paul e sussurro no ouvido, quem nunca?

Clique para acessar o discman de Alice.

Um viva à vida que se desdobra e recorda e se acoberta! E uma grande saudação a todos os sentimentais canalhas que se retorcem nas sílabas deste grande clássico da discografia canalha!

Holding hands, making all kinds of plans
While the jukebox plays our favorite song

————————————————————————————————————

alissia

Alice

Eu escrevo como um personagem dos anos noventa.

A prostituta e o escritor

prostituição

Então esse sujeito, o personagem principal dessa pequena história, tinha um caso com uma prostituta. Apaixonado por ela e também sustentado pelo dinheiro que ela conseguia na noite, não trabalhava e vivia escrevendo seus contos, até então, nenhum havia sido aceito em qualquer revista ou editora que tentara. Certo dia, deitado na cama enquanto a jovem se arrumava para sair, ficou ali pensando na situação degradante em que ele vivia. Pensou seriamente no papel que ele, homem, estava fazendo sendo sustentado por ela… pior, sentiu-se  enciumado e decidiu dar um basta naquilo tudo, de uma vez por todas. Enquanto ela arrumava para o trabalho, ele levantou da cama e disse em tom grave:

_ Não gosto que você saia para as ruas… você é minha mulher e deve largar essa vida.

Muito calmamente ela larga o lápis com o qual modelava os olhos, vira-se para ele e responde:

_ Mas por quê?

_ Por quê? Pense bem, você é uma prostituta, como eu posso me sentir confiante, como eu posso me sentir homem?

_ Acho que você tem todos os motivos do mundo pra se sentir confiante sim!

_ Mas…

_ Escuta querido, eu passo as noites vendo os mais diferentes tipos de caralhos, de todos os formatos e tamanhos… faço sexo de todas as maneiras imagináveis. Se eu volto pra você, é porque eu te amo!

E o resto foi silêncio…

————————————————————————————————-

eumanual

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais.

Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”