Só um dia ruim?

É como uma grande montanha de entulho e alguém joga uma pedrinha lá em cima e tudo desmorona. Meu dia foi parecido com isso, mas para ficar igual seria preciso trocar o entulho por um monte de merda. Agora imagine tudo caindo em cima de mim.

Vou mudar a linha do tempo e começar aqui do final. Ver se começando do fim, eu consigo voltar àqueles momentos que antecederam o inicio de todas as confusões.

 

Ao chegar a casa eu precisava de uns goles. Nada muito pesado, mas só umas doses para entorpecer um pouco o corpo. Só um pouco de alivio no meio da bagunça toda. Fui ao boteco vizinho de casa e lá sou informado que por problemas com  a entrega, eles estavam sem cerveja. Perguntou se eu queria mais alguma coisa e tive que me segurar para não pedir veneno. Comprei só um refrigerante e me tranquei em casa. Ela fedia demais, pois ao tentar abrir a ultima garrafa de vinho da dispensa, acabei derrubando tudo e perdendo o precioso liquido. Tentei limpar a sujeira, mas acabou que os produtos de limpeza que usei só fizeram piorar o cheiro. Chegou ao ponto de precisar usar um pano amarrado no rosto para conseguir transitar.

Abri a geladeira e tirei de lá uma garrafa de Steinhaeger. Meu objetivo era misturá-lo na cerveja, mas na falta dela, ia ser com refrigerante mesmo. Refrigerante de Guaraná com Steinhaeger. Espero que seja efetivo.

 

A gota final para decidir o porre foi justamente a ligação da mulher que amo. Eu sei que estamos aos trancos e barrancos, mas ela é quem me encanta. Acontece que depois de uns vacilos meus a nossa relação anda balançada e nesta última ligação ela terminou tudo. Depois de tanto tempo, ela decidiu por um fim na confusão que se virou nossas vidas. Não a culpo, acho que não conseguiria isso de modo algum. Sou destas pessoas de difícil convivência e que nunca aceita estar errado. Eu sou assim e não mudo, qualquer pessoa esperta corre para bem longe quando descobre isso.

Foi tenso ela ter ligado quando eu estava saindo do trabalho. Sai mais cedo fugindo dos gritos do meu chefe. Problemas em uma planilha que já deveria ter sido enviada e centenas de pessoas teriam seus salários atrasados por conta deste descuido. Eu já estava meio balançado durante o dia, mas naquela hora em que tentei terminar a planilha, eu só queira terminar aquilo para ir embora. Não sei o que arrumei no teclado, mas no mesmo momento em que mandei salvar o trabalho, digitei um comendo errado e todos os dados foram embora. Tudo perdido. Uma semana inteira tentando finalizar aquilo e eu estraguei tudo. Uma semana tentando provar que eu merecia aquela vaga e perdi minha melhor chance.

 

Tenho certeza que estaria bem mais centrado no trabalho se por acaso minha obturação não houvesse caído durante o almoço. Eu adiava há meses ir ao dentista e o preço foi cobrado. Tava eu lá bem feliz mastigando minha carne moída e do nada soltou a obturação. Muita dor e um almoço mastigável abandonado.

 

Eu sei que você deve estar pensando que é sofrimento demais e que minhas doses são merecidas. Eu poderia contar o que em aconteceu pela manhã, mas eu preciso poupá-los de mais desgraça. Eu preciso me poupar de lembrar mais coisas. Só assim para dormir hoje. Isso e mais algumas doses. Deixem-me aqui afundando neste mundo de entorpecência que o álcool proporciona. Deixem-me catando as migalhas que me sobram de vida para dormir hoje. E façam um favor a um podre bebum: DEIXEM-me curtir a ressaca sozinho amanhã. Só isso que eu quero. Deixem-me ficar com um sofrimento que eu escolhi e não um que é resultado das minhas escolhas. Deixe cá essa velha carcaça queimar no álcool. Deixem esse cara dormir até amanhã.

Pode ser?

 

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

 

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HODIE

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Eu fico aqui sentado neste lugar e pensando em tudo que aconteceu. Lembro-me dos meus erros e lembro os (poucos) acertos. Lembro que muitos caminharam ao meu lado, mas que eu sempre estive sozinho.
Eu poderia sentir um turbilhão de coisas, mas sempre que estou aqui eu me sinto em paz. Vejo tantas lápides ao meu redor, vejo tantas vidas que chegaram o fim. Vidas que eram tão importantes quanto a minha e que agora estão debaixo destes pedaços de pedra ou em covas rasas. Acho engraçado que mesmo aqui dá pra ver a diferenças das classes, mas todos estão sendo comidos pelos mesmos vermes. Estes sim não fazem distinção entre cor, credo, classe social ou opção social. Ok, eu fico meio mórbido e meio irônico, mas é culpa do ambiente. E digo que aqui só fica melhor quando a noite chega.

Eu vinha para cá e sempre encontrava pessoas zanzando por aqui, mas admito que nunca tive coragem de perguntar se eram vivos ou os mortos. Sabe como é, determinadas coisas não devem ser perguntadas. Sem contar que não faz diferença, vivo ou morto, quero só ficar na minha sem atrapalhar ninguém e sem que ninguém me atrapalhe.

crédito: Toninho Cury

crédito: Toninho Cury

E de noite cada sombra pode ser algo do além. Vejo os vultos, vejo o ventos nas árvores e nos mausoléus. O lugar ganha ares mágicos, parece que é um lugar mil vezes maior. Mais de uma vez fiquei perdido nas noites. Na verdade eu fico quase sempre perdido. Eu descubro novos caminhos e passagens. Mas já sofri acidentes também. Várias vezes cai em valas que iriam receber novos moradores. Algumas vezes subi em lápides que quebraram com meu peso e meu pé ia parar bem lá no lugar onde os ossos dos defuntos ficam. Já tomei umas pancadas de policias e até do coveiro. Por fim descobrir rotas de fuga e que o coveiro bebe as cachaças dos despachos que aparecem aqui. E que ele nem sai da toca dele se eu deixar na porta uma garrafa. ele bebe a dele, eu bebo as minhas e vivemos felizes.

Claro que eu tenho meu lugar especial. Claro que eu tenho os locais onde me sinto mais à vontade. Os locais onde eu me sinto mais conectado com este mundo. Por exemplo, este lugar em que estou, este pequeno ninho que fica entre alguns túmulos e que me permite ter uma visão ampla do céu e que me protege do vento frio que sempre rola por aqui. Daqui do meu ninho posso ver várias coisas, entre elas a seguinte inscrição em um túmulo:

Lápide com inscrições em latim.

“Hodie mihi, cras tibi” 
Hoje meu, amanhã teu. É das coisas que fazem pensar. Hoje estou aqui me sentindo fantástico, na certeza que posso tudo, mas amanhã serei mais um aqui embaixo. Mas só amanhã, porque hoje eu tenho toda a vida do mundo dentro de mim e que sou infinito. E vou embora deste lugar viver um cadinho lá junto dos vivos.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

 

Quem são as invejosas?

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Sempre achei o formato das redes sociais um tanto psicótico. Pessoas falando “sozinhas”, sendo seguidas por outras, conversas que não levam a lugar algum, conectadas à rede, mas desconectadas da realidade. Tudo muito estranho… ora engraçado, ora deprimente. Um universo à parte.

É óbvio que a arquitetura destes programas acabam por definir o conteúdo dos mesmos. Uma enxurrada de spams, muitas mensagens de auto promoção, temas da moda e, claro, as indiretas. Sobre elas, as indiretas, que quero fazer uma pequena reflexão com vocês leitores e leitoras.

Antes de tudo, gostaria de pedir que atire a primeira pedra aquele que nunca enviou uma indireta por uma rede social. Seja ela do bem, do mal, neutra… que atingiu o alvo ou não. Difícil encontrar alguém, não é? Talvez seja por isso que as redes sociais tenham tanta potência, investem em pontos que são, na verdade, nossos. Claro que fortalecem alguns deles mais que outros, mas no fim das contas sempre estiveram por ali… não é nada inédito, pelo menos no conteúdo, enquanto a forma fica cada vez mais compulsiva.

“Desejo a todas inimigas vida longa / Pra que elas vejam cada dia mais nossa vitória.” Poderia ser… não sei quem, mas sim, é ela, Valeska Popozuda. O clipe dessa música[?] é uma super produção, o Senhor do Anéis do funk. E me diga, tudo aquilo para que? Para mandar uma indireta!! Eu não estou exagerando quando digo que esse tema é sério. Por todos os lados, a indústria cultural já percebeu que isso dá ibope, falar mal das invejosas e dos manés. A única coisa que não entendi até agora é: Quem são essas pessoas tão más?

“Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” Esta sempre foi uma pergunta sem resposta para mim. Em uma lógica monoteísta isso é um pouco complicado. Sendo o mesmo Deus, o que me garante que Ele está completamente ao meu lado e totalmente contra meus inimigos? Quem disse que você é o filho preferido e está cumprindo a vontade divina? Bateu saudade de quando árvores de fogo falavam e anjos apareciam com trombetas, não é? Eu te entendo… também queria respostas.

O que eu estou levantando aqui como questionamentos é, simplesmente, qual certeza de que estamos totalmente corretos e “nossos inimigos” totalmente errados? Nenhuma! E é por isso mesmo que usamos tanto a indireta como forma de comunicação[?]. Se a certeza existisse mesmo, seria dito na cara. De forma quase oficial, direcionada, sem fogo amigo ou coisa parecida. Uma vez ou outra, vá lá… mas o que temos é uma epidemia. Tanto se espalhou que até na política [espaço da discussão pública,  aberta, clara] tem prevalecido o “dizem que falam que não sei o que”. Quando tudo fica “à boca miúda”, se tem nada de concreto, a não ser um tanto de especulações.

A questão final é: se não é falado diretamente e o objeto de nosso ódio não tem qualquer chance de se defender, o que garante que não é paranoia de quem denuncia contra si mesmo? Explico melhor, as vezes, a raiva e a crítica que direcionamos ao outro é um problema nosso e não foi nenhum mal olhado que fez nosso chefe brigar conosco, mas foi o nosso péssimo desempenho no trabalho [muitas vezes por ficar procrastinando no facebook] que não permitiu aquela tão esperada promoção, aquele tão sonhado aumento de salário. Quer dizer que não existem inimigos no mundo? Claro que existem, não estou dizendo para baixar completamente a guarda, o que proponho é uma linha a mais em nossas orações, uma linha que proponha a reflexão sobre os nossos próprios pecados, contra nós ou contra os outros.

eumanual

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais.

Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”

Manifesto

Logo do Manual

Lembro que criamos o Manual em uma mesa de bar lá em São João Del Rei. Estávamos bebendo e filosofando sobre a vida e os amores. Não conseguíamos entender este jeito desleixado e sádico de manter relacionamentos. Decidimos tomar uma atitude: criaríamos um meio de mostrar nosso descontentamento com estas práticas e mostraríamos que outros caminhos eram possíveis. Já havíamos enveredado em outra época pela internet com outros projetos, mas desta vez criaríamos um blog para expressar nossas ideias de forma que fugisse à panfletagem e os guias quadradões que surgem toda semana. Queríamos que o ato de entender e resgatar este romantismo perdido fosse prazeroso de se ler, que ele fosse feito de forma que você nota-se a mensagem ao se divertir lendo os textos.

De lá para cá o Manual já teve diversas contribuições e produtos. Durante um tempo distribuímos versões impressas do Manual por eventos pelo Brasil e já tentamos mais de uma vez produzir um podcast. Estamos pensando em novas produções tanto para aumentar o alcance de nossas ações, quanto diversificar as formas de fazer com que o Manual e suas ideias sejam compreendidos e a cada dia vemos que mais pessoas leem nossos escritos. Isso nos motiva a escrever e produzir mais.

O Manual peca muitas vezes pela falta de pessoas para escrever nossos textos e produzir material. Não que não existam candidatos, mas é que não adianta incluir em nossas frentes os candidatos sem que estes tenham ideias que se entrem em sintonia com nossa filosofia. Não queremos em momento nenhum que o Manual se torne somente mais um guia de conquista vazio e que reproduza o status quo. Para integrar o Manual, além de boa escrita, é preciso ser um sonhador e acreditar no amor. Acreditar mesmo que o mundo lhe dê provas diárias do contrário. Nossa equipe é composta por pessoas que ainda sonham. Pessoas que não tem medo de olhar nos olhos das pessoas e dizer o quanto elas são importantes, olhar no olho e dizer: Eu Gosto de você.

Mais de uma vez fomos chamados de loucos com nossa filosofia. Mais de uma vez fomos criticados por pessoas que achavam que nosso modo de agir não condizia com a realidade. Mas como viver exatamente igual aos demais se somos cá pessoas que andam na contra mão do mundo? Pra que ser mais um dos que falam sobre números ao invés de falar sobre os detalhes de cada uma de suas conquistas? Falar sobre o que cada uma representou em sua vida e admitir que sentimos sim falta dela quando isso ocorrer.

Somos aqueles sujeitos que vão te amar sem exigir que você siga os padrões de comportamento estabelecidos por uma sociedade burra e opressora, sociedade que diz que existem padrões de beleza que devem ser perseguidos com todas as nossas forças, num movimento gigante de eterna insatisfação. Nós te amamos pelo que você é. Amamos cada curva do seu corpo, amamos cada cicatriz, mancha de nascença. Amamos tudo que te torna única. Amamos seu jeito de sorrir, amamos seu jeito de habitar o mundo sendo apenas Você. Acreditamos na pessoa de verdade, na pessoa saudável e que não tem medo de ser livre. Amamos o real e é com ele que sonhamos.

E o Manual segue com seu trabalho. Segue nesta esperança e desejos de um mundo melhor e com formas de relacionamento melhores.

 @os canalhas

Nós acreditamos que é possível.

Sexo, Moral e Videotape

Já começo o texto com uma noticia alarmante: 99% das mulheres que eu conheço fazem sexo! Elas fazem sexo das mais variadas formas e para completar, algumas delas transam também com outras mulheres. Algumas delas são frigidas, algumas adoram sexo oral e outras não abrem mão de anal. E a contagem só não chega a 100% porque algumas delas escolheram esperar e outras são freiras.
Sabe o que isso tudo significa? Significa que elas são normais! Elas não são doentes ou tem problemas psicológicos, não são vadias ou qualquer outro termo chulo que você possa inventar ou replicar. E mais ainda: Elas não cometem crime algum por viverem sua sexualidade. E graças ao preconceito, machismo e outras besteiras, estas mulheres muitas vezes se sentem desconfortáveis por quererem e gostarem de sexo.
Já ando a tempos estressado com este povo que julga os outros do autor do seu pedestal, seja ele religioso, de gênero ou cultural. Apontamos para as mulheres que transam com quem querem e dizemos: “Tá indo ali uma puta.”, “Fulana é vadia.”, “Sicrana é pra namorar e Beltrana não é.” Enquanto isso ficamos aqui com nossas travas, com nossos desejos não realizados, com nossa busca sempre protelada de felicidade. eu quero deixar bem claro que o fato da nossa vida ser medíocre não nos dá direito de julgar e atacar os que buscam uma vida plena e feliz. Apontamos o dedo para quem é livre num movimento de inveja e incomodo. Somos covardes e não vamos adiante na busca de realizarmos nossa potencialidade e no caso das mulheres, estas sofrem ainda mais.
Vamos pensar como a cultura apresenta a mulher:
– Nascem para ser mães.
– Só serão felizes se casarem e tiverem filhos.
– Devem casar virgens e não se importar com a experiencia sexual do parceiro.
– Podem até estudar, mas devem saber desenvolver bem as atividades do lar.
– Devem vestir-se de forma recatada para evitar que sofram qualquer violência ou ataque dos outros.
– (inclua aqui todos os itens que eu esqueci.)
Imagine o sofrimento das mulheres que vivendo sobre todos estes dogmas! Imagine crescer dizendo que você é o sexo frágil e que terá que apoiar sua vida na de um outro homem para poder ser feliz!
Mais de uma vez tive que lidar com mulheres que sofriam diante destas coisas, mas que as replicavam. Elas eram também agentes do sofrimento delas justamente porque desde sempre viveram ouvindo que aquilo era certo. Ficamos horrorizados com a forma com que as mulheres são tratadas em alguns países, mas esquecemos dos apedrejamentos diários que fazemos contra tantas mulheres no decorrer do nosso dia. Mais uma vez estamos apontando os erros dos outros e esquecemos dos problemas aqui no nosso quintal.
O Que fica na memória e o que fica na rede
Adoro filmes pornôs. Não tenho vergonha nenhuma em dizer, mas se uma mulher diz isso, logo causa espanto. Afinal, a mulher é casta e esta esperando marido, pensar em sexo antes do casamento é pecado! Se já pensamos assim, imagina quando uma mulher que não é do ramo, acaba sendo personagem de uma filmagem erótica!
RAMEIRAS! VAGABUNDAS! SE TIVESSEM SE DADO AO RESPEITO NÃO ESTARIAM SOFRENDO ISSO!
Pera! Para Tudo! A vitima agora é a culpada? Já não basta nas situações de estupro e violência, elas vão ser as culpadas quando um babaca qualquer divulga os videos íntimos destas mulheres? A guria participa da gravação, curte o momento e depois ainda é julgada por trocentos babacas. O Sujeito divulga os videos e ainda tentar se passar como vitima! E para piorar o sujeito reforça a fama de comedor enquanto a guria muitas vezes precisa sair do emprego, deixar de sair de casa e estudar. Sendo que ela não fez nada para merecer isso!
E fica martelando sempre em minha cabeça que é sem fundamento julgar estas mulheres, pois elas fazem o mesmo sexo que fazemos todos os dias com nossos parceiros. Elas transam e estão sendo felizes com isso, mas não nos contentamo em aceitar isso e as esprememos, massacramos, perseguimos até o momento em que muitas destas preferem tomar medidas extremas. E cada uma destas vidas estará profundamente marcada por cada uma de nossas violências.
Para piorar ainda mais o quadro, vivemos na era das redes sociais. Estas ferramentas estão servindo a um propósito perverso ao permitir que as pessoas possam dizer o que quiserem, sem sofrerem consequências imediatas e que muitas vezes nunca sofrerão. Se eu xingo uma pessoa na rua, a possibilidade dela reagir olhando nos meus olhos, seja com punhos ou palavras e imensa, mas pela internet temos este escudo que só faz aumentar nossa covardia e perversidade.
E vamos seguindo nossas vidas. Para as vitimas resta a vergonha e o preconceito, aos culpados, fica a consciência tranquila e penas pequenas. Para nós que julgamos e fazemos tanto escarcéu, fica só a espera do novo caso e da nova bruxa para queimarmos nas fogueiras do nosso preconceito.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

As Aventuras das Tardes

Fui daquelas crianças que viveram em frente da televisão. Adorava os filmes da Sessão da Tarde e eu mesmo queria participar de todas aquelas aventuras e ao final ganhar o beijo da Mocinha que eu salvei. Eu suspirava e não ligava para os perigos.

Eu queria ser Indiana Jones e viajam o mundo combatendo os nazistas e usando meu chicote. Na minha imaginação eu usava qualquer cinto do meu Pai para ter o meu chicote. Admito que mais de uma vez tomei umas pancadas após quebrar alguma coisa ou desaparecer com o “chicote”.

Eu crescia vendo os nerds e mais fracos da escola dando a volta por cima e conseguindo vencer os valentões. Eles sempre tinham amigos legais, uma turma bacana e fiel e eu inveja a todos eles.

Eu sonhei em embarcar no DeLorean e ir para uma data qualquer, mas se pudesse escolher eu queria ir pro futuro e ter um skate voador. Se eu pudesse escolher seria isso mesmo! E eu ia adorar também nos dias de chuvas, aquelas roupas que secavam sozinhas.

Eu cresci mas a nostalgia daqueles tempos continuam. Tardes em que os filmes eram reprisados à exaustão e mesmo assim ainda me deixam cheio de vontade de ver.

Lembro que meu fiquei louco quando descobri que havia personagens do Mortal Kombat que eram baseados nos personagens do “Os Aventureiros do Bairro Proibido”

 Eu acompanhei “Karatê Kid” e vi as sovas que aquele rapaz levou. Eu mesmo não entendia as lições do Senhor Miyagi até ver seu pupilo vencer os outros sujeitos usando as técnicas que ele havia ensinado sem que o aluno entendesse.

São tantos filmes, tantos momentos que lembram aquele menino com os olhos brilhando em frente a TV. Aquele que fantasiava ser o Mocinho de cada história e que foi crescendo e perdendo um pouco da inocência. Mas cada um destes filmes, cada uma das trilhas sonoras ainda fazem este adulto ficar com o coração batendo diferente. Este adulto aqui ainda lembra das coisas boas de quando era menino, este adulto aqui cresceu, aprendeu responsabilidades, trabalha e tem um bom salário.

Mas eu preciso dizer que este adulto aqui, este mesmo que tá escrevendo, este adulto aqui ainda vive cada história como se fosse o Herói, vive cada história salvando mocinhas e derrotando bandidos, esse adulto ainda é Arqueólogo, Policial, Herói Mascarado, Viajante Espacial e Gladiador.

Escrevendo tudo isso e repensando a vida, sei que aquele menino esta feliz. Suas aventuras vão durar para sempre aqui dentro do meu coração!

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.