Manifesto

Logo do Manual

Lembro que criamos o Manual em uma mesa de bar lá em São João Del Rei. Estávamos bebendo e filosofando sobre a vida e os amores. Não conseguíamos entender este jeito desleixado e sádico de manter relacionamentos. Decidimos tomar uma atitude: criaríamos um meio de mostrar nosso descontentamento com estas práticas e mostraríamos que outros caminhos eram possíveis. Já havíamos enveredado em outra época pela internet com outros projetos, mas desta vez criaríamos um blog para expressar nossas ideias de forma que fugisse à panfletagem e os guias quadradões que surgem toda semana. Queríamos que o ato de entender e resgatar este romantismo perdido fosse prazeroso de se ler, que ele fosse feito de forma que você nota-se a mensagem ao se divertir lendo os textos.

De lá para cá o Manual já teve diversas contribuições e produtos. Durante um tempo distribuímos versões impressas do Manual por eventos pelo Brasil e já tentamos mais de uma vez produzir um podcast. Estamos pensando em novas produções tanto para aumentar o alcance de nossas ações, quanto diversificar as formas de fazer com que o Manual e suas ideias sejam compreendidos e a cada dia vemos que mais pessoas leem nossos escritos. Isso nos motiva a escrever e produzir mais.

O Manual peca muitas vezes pela falta de pessoas para escrever nossos textos e produzir material. Não que não existam candidatos, mas é que não adianta incluir em nossas frentes os candidatos sem que estes tenham ideias que se entrem em sintonia com nossa filosofia. Não queremos em momento nenhum que o Manual se torne somente mais um guia de conquista vazio e que reproduza o status quo. Para integrar o Manual, além de boa escrita, é preciso ser um sonhador e acreditar no amor. Acreditar mesmo que o mundo lhe dê provas diárias do contrário. Nossa equipe é composta por pessoas que ainda sonham. Pessoas que não tem medo de olhar nos olhos das pessoas e dizer o quanto elas são importantes, olhar no olho e dizer: Eu Gosto de você.

Mais de uma vez fomos chamados de loucos com nossa filosofia. Mais de uma vez fomos criticados por pessoas que achavam que nosso modo de agir não condizia com a realidade. Mas como viver exatamente igual aos demais se somos cá pessoas que andam na contra mão do mundo? Pra que ser mais um dos que falam sobre números ao invés de falar sobre os detalhes de cada uma de suas conquistas? Falar sobre o que cada uma representou em sua vida e admitir que sentimos sim falta dela quando isso ocorrer.

Somos aqueles sujeitos que vão te amar sem exigir que você siga os padrões de comportamento estabelecidos por uma sociedade burra e opressora, sociedade que diz que existem padrões de beleza que devem ser perseguidos com todas as nossas forças, num movimento gigante de eterna insatisfação. Nós te amamos pelo que você é. Amamos cada curva do seu corpo, amamos cada cicatriz, mancha de nascença. Amamos tudo que te torna única. Amamos seu jeito de sorrir, amamos seu jeito de habitar o mundo sendo apenas Você. Acreditamos na pessoa de verdade, na pessoa saudável e que não tem medo de ser livre. Amamos o real e é com ele que sonhamos.

E o Manual segue com seu trabalho. Segue nesta esperança e desejos de um mundo melhor e com formas de relacionamento melhores.

 @os canalhas

Nós acreditamos que é possível.

Sobre os homens normais

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Ser mulher não é fácil e boa parte delas já sabem disso desde que nasceram. Por outro lado, ser homem também não é lá essas coisas. A tal da cultura patriarcal é tão cruel com mulheres, quanto com homens e o Capital [sim, ele! assim como o pop] não perdoa ninguém. O darwinismo social, onde só os mais adaptados [que nesse caso podem ser os mais fortes mesmo] sobrevivem, parece ser a única dinâmica possível. E tem dias que bate aquela desesperança com a barriguinha nossa de cada dia. Aí, não é que aparece na internet uma esperança com sujeitos esquisitinhos como eu e você [ou melhor, normais] em poses sensuais de propagandas de cueca? O ensaio foi feito pelo tabloide The Sun e o resultado é muito bom. Me lembrou a clássica comédia inglesa Tudo ou Nada, em que um grupo de operários desempregados [olha o capitalismo cruel aí de novo] decide fazer um show de strip para ganhar dinheiro e o melhor, o evento vira um sucesso. Nós também merecemos uma campanha pela real beleza!

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Bobo do homem que não tem amigas. Mesmo que tenhamos vontade de transar com todas elas, ter amigas, daquelas que contam segredos inconfessáveis, é muito bom. E dentre os inúmeros motivos de ser bom, um deles é saber que tem muita mulher que não troca uma barriguinha por nenhum peitoral trabalhado em academia.

ps.: E para você, homem, que ficou incomodado com uma postagem com homens de cueca… é melhor rever isso daí.

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Marcelo Marchiori: Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais. Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”