Só um dia ruim?

É como uma grande montanha de entulho e alguém joga uma pedrinha lá em cima e tudo desmorona. Meu dia foi parecido com isso, mas para ficar igual seria preciso trocar o entulho por um monte de merda. Agora imagine tudo caindo em cima de mim.

Vou mudar a linha do tempo e começar aqui do final. Ver se começando do fim, eu consigo voltar àqueles momentos que antecederam o inicio de todas as confusões.

 

Ao chegar a casa eu precisava de uns goles. Nada muito pesado, mas só umas doses para entorpecer um pouco o corpo. Só um pouco de alivio no meio da bagunça toda. Fui ao boteco vizinho de casa e lá sou informado que por problemas com  a entrega, eles estavam sem cerveja. Perguntou se eu queria mais alguma coisa e tive que me segurar para não pedir veneno. Comprei só um refrigerante e me tranquei em casa. Ela fedia demais, pois ao tentar abrir a ultima garrafa de vinho da dispensa, acabei derrubando tudo e perdendo o precioso liquido. Tentei limpar a sujeira, mas acabou que os produtos de limpeza que usei só fizeram piorar o cheiro. Chegou ao ponto de precisar usar um pano amarrado no rosto para conseguir transitar.

Abri a geladeira e tirei de lá uma garrafa de Steinhaeger. Meu objetivo era misturá-lo na cerveja, mas na falta dela, ia ser com refrigerante mesmo. Refrigerante de Guaraná com Steinhaeger. Espero que seja efetivo.

 

A gota final para decidir o porre foi justamente a ligação da mulher que amo. Eu sei que estamos aos trancos e barrancos, mas ela é quem me encanta. Acontece que depois de uns vacilos meus a nossa relação anda balançada e nesta última ligação ela terminou tudo. Depois de tanto tempo, ela decidiu por um fim na confusão que se virou nossas vidas. Não a culpo, acho que não conseguiria isso de modo algum. Sou destas pessoas de difícil convivência e que nunca aceita estar errado. Eu sou assim e não mudo, qualquer pessoa esperta corre para bem longe quando descobre isso.

Foi tenso ela ter ligado quando eu estava saindo do trabalho. Sai mais cedo fugindo dos gritos do meu chefe. Problemas em uma planilha que já deveria ter sido enviada e centenas de pessoas teriam seus salários atrasados por conta deste descuido. Eu já estava meio balançado durante o dia, mas naquela hora em que tentei terminar a planilha, eu só queira terminar aquilo para ir embora. Não sei o que arrumei no teclado, mas no mesmo momento em que mandei salvar o trabalho, digitei um comendo errado e todos os dados foram embora. Tudo perdido. Uma semana inteira tentando finalizar aquilo e eu estraguei tudo. Uma semana tentando provar que eu merecia aquela vaga e perdi minha melhor chance.

 

Tenho certeza que estaria bem mais centrado no trabalho se por acaso minha obturação não houvesse caído durante o almoço. Eu adiava há meses ir ao dentista e o preço foi cobrado. Tava eu lá bem feliz mastigando minha carne moída e do nada soltou a obturação. Muita dor e um almoço mastigável abandonado.

 

Eu sei que você deve estar pensando que é sofrimento demais e que minhas doses são merecidas. Eu poderia contar o que em aconteceu pela manhã, mas eu preciso poupá-los de mais desgraça. Eu preciso me poupar de lembrar mais coisas. Só assim para dormir hoje. Isso e mais algumas doses. Deixem-me aqui afundando neste mundo de entorpecência que o álcool proporciona. Deixem-me catando as migalhas que me sobram de vida para dormir hoje. E façam um favor a um podre bebum: DEIXEM-me curtir a ressaca sozinho amanhã. Só isso que eu quero. Deixem-me ficar com um sofrimento que eu escolhi e não um que é resultado das minhas escolhas. Deixe cá essa velha carcaça queimar no álcool. Deixem esse cara dormir até amanhã.

Pode ser?

 

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

 

HODIE

noite-no-cemiterio

Eu fico aqui sentado neste lugar e pensando em tudo que aconteceu. Lembro-me dos meus erros e lembro os (poucos) acertos. Lembro que muitos caminharam ao meu lado, mas que eu sempre estive sozinho.
Eu poderia sentir um turbilhão de coisas, mas sempre que estou aqui eu me sinto em paz. Vejo tantas lápides ao meu redor, vejo tantas vidas que chegaram o fim. Vidas que eram tão importantes quanto a minha e que agora estão debaixo destes pedaços de pedra ou em covas rasas. Acho engraçado que mesmo aqui dá pra ver a diferenças das classes, mas todos estão sendo comidos pelos mesmos vermes. Estes sim não fazem distinção entre cor, credo, classe social ou opção social. Ok, eu fico meio mórbido e meio irônico, mas é culpa do ambiente. E digo que aqui só fica melhor quando a noite chega.

Eu vinha para cá e sempre encontrava pessoas zanzando por aqui, mas admito que nunca tive coragem de perguntar se eram vivos ou os mortos. Sabe como é, determinadas coisas não devem ser perguntadas. Sem contar que não faz diferença, vivo ou morto, quero só ficar na minha sem atrapalhar ninguém e sem que ninguém me atrapalhe.

crédito: Toninho Cury

crédito: Toninho Cury

E de noite cada sombra pode ser algo do além. Vejo os vultos, vejo o ventos nas árvores e nos mausoléus. O lugar ganha ares mágicos, parece que é um lugar mil vezes maior. Mais de uma vez fiquei perdido nas noites. Na verdade eu fico quase sempre perdido. Eu descubro novos caminhos e passagens. Mas já sofri acidentes também. Várias vezes cai em valas que iriam receber novos moradores. Algumas vezes subi em lápides que quebraram com meu peso e meu pé ia parar bem lá no lugar onde os ossos dos defuntos ficam. Já tomei umas pancadas de policias e até do coveiro. Por fim descobrir rotas de fuga e que o coveiro bebe as cachaças dos despachos que aparecem aqui. E que ele nem sai da toca dele se eu deixar na porta uma garrafa. ele bebe a dele, eu bebo as minhas e vivemos felizes.

Claro que eu tenho meu lugar especial. Claro que eu tenho os locais onde me sinto mais à vontade. Os locais onde eu me sinto mais conectado com este mundo. Por exemplo, este lugar em que estou, este pequeno ninho que fica entre alguns túmulos e que me permite ter uma visão ampla do céu e que me protege do vento frio que sempre rola por aqui. Daqui do meu ninho posso ver várias coisas, entre elas a seguinte inscrição em um túmulo:

Lápide com inscrições em latim.

“Hodie mihi, cras tibi” 
Hoje meu, amanhã teu. É das coisas que fazem pensar. Hoje estou aqui me sentindo fantástico, na certeza que posso tudo, mas amanhã serei mais um aqui embaixo. Mas só amanhã, porque hoje eu tenho toda a vida do mundo dentro de mim e que sou infinito. E vou embora deste lugar viver um cadinho lá junto dos vivos.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

 

Manifesto

Logo do Manual

Lembro que criamos o Manual em uma mesa de bar lá em São João Del Rei. Estávamos bebendo e filosofando sobre a vida e os amores. Não conseguíamos entender este jeito desleixado e sádico de manter relacionamentos. Decidimos tomar uma atitude: criaríamos um meio de mostrar nosso descontentamento com estas práticas e mostraríamos que outros caminhos eram possíveis. Já havíamos enveredado em outra época pela internet com outros projetos, mas desta vez criaríamos um blog para expressar nossas ideias de forma que fugisse à panfletagem e os guias quadradões que surgem toda semana. Queríamos que o ato de entender e resgatar este romantismo perdido fosse prazeroso de se ler, que ele fosse feito de forma que você nota-se a mensagem ao se divertir lendo os textos.

De lá para cá o Manual já teve diversas contribuições e produtos. Durante um tempo distribuímos versões impressas do Manual por eventos pelo Brasil e já tentamos mais de uma vez produzir um podcast. Estamos pensando em novas produções tanto para aumentar o alcance de nossas ações, quanto diversificar as formas de fazer com que o Manual e suas ideias sejam compreendidos e a cada dia vemos que mais pessoas leem nossos escritos. Isso nos motiva a escrever e produzir mais.

O Manual peca muitas vezes pela falta de pessoas para escrever nossos textos e produzir material. Não que não existam candidatos, mas é que não adianta incluir em nossas frentes os candidatos sem que estes tenham ideias que se entrem em sintonia com nossa filosofia. Não queremos em momento nenhum que o Manual se torne somente mais um guia de conquista vazio e que reproduza o status quo. Para integrar o Manual, além de boa escrita, é preciso ser um sonhador e acreditar no amor. Acreditar mesmo que o mundo lhe dê provas diárias do contrário. Nossa equipe é composta por pessoas que ainda sonham. Pessoas que não tem medo de olhar nos olhos das pessoas e dizer o quanto elas são importantes, olhar no olho e dizer: Eu Gosto de você.

Mais de uma vez fomos chamados de loucos com nossa filosofia. Mais de uma vez fomos criticados por pessoas que achavam que nosso modo de agir não condizia com a realidade. Mas como viver exatamente igual aos demais se somos cá pessoas que andam na contra mão do mundo? Pra que ser mais um dos que falam sobre números ao invés de falar sobre os detalhes de cada uma de suas conquistas? Falar sobre o que cada uma representou em sua vida e admitir que sentimos sim falta dela quando isso ocorrer.

Somos aqueles sujeitos que vão te amar sem exigir que você siga os padrões de comportamento estabelecidos por uma sociedade burra e opressora, sociedade que diz que existem padrões de beleza que devem ser perseguidos com todas as nossas forças, num movimento gigante de eterna insatisfação. Nós te amamos pelo que você é. Amamos cada curva do seu corpo, amamos cada cicatriz, mancha de nascença. Amamos tudo que te torna única. Amamos seu jeito de sorrir, amamos seu jeito de habitar o mundo sendo apenas Você. Acreditamos na pessoa de verdade, na pessoa saudável e que não tem medo de ser livre. Amamos o real e é com ele que sonhamos.

E o Manual segue com seu trabalho. Segue nesta esperança e desejos de um mundo melhor e com formas de relacionamento melhores.

 @os canalhas

Nós acreditamos que é possível.

Dá licença Nabokov

Data máxima venia ao famoso lepidopterista e responsável por dar forma e letra a uma das figuras mais marcantes do nosso imaginário erótico, hoje eu vou de Balzac e Sergio Reis.

LOLITA - FILM

Ante a tantos fibroblastos, projetos de bunda na nuca, exposição facebuqueana e fotos com bico de pato, a que se fazer um desagravo às balzaquianas, aquelas que vivem “o ápice poético da vida das mulheres”.  Afinal de contas, “Menina nova é muito bom, mas mete medo/Não tem segredo e vive falando à toa”.

Não sei quando nem como a minha admiração por mulheres mais velhas (e aqui vou usar “mais velhas” sim, pois se trata de um elogio.) começou. O fato é que sempre nas novelas, filmes e revistas, foram elas que mais me chamaram atenção. Obviamente que quando menino (e ainda hoje) tinha e tenho minhas ninfetinhas do momento. Ah, mas basta aparecer uma Ângela Vieira, Julianne Moore, Sophie Okonedo, Sonia Braga, Claudia Alencar, Camila Pitanga, Monica Bellucci, Letícia Sabatella, Cris Vianna, Patrícia Pillar, etc., etc., etc. lá se vai toda minha atenção.

Acredito que minha avó e meu pai (calma tio Freud) sejam minhas grandes influências e responsáveis por esse meu gosto. Dois grandes admiradores dos filmes das décadas de 50 e 60 me apresentaram belezas como as de Sophia Loren, Ava Gardner, Rita Hayworth, Vivien Leigh, Lauren Bacall e por aí vai.

elas

You tá de brinqueichon uite me, cara?!

Por outro lado, existem diversos clichês que cercam o universo das mulheres mais velhas: são como o vinho, é a possibilidade de uma transa de uma noite só, sem a “neura” do dia seguinte das novinhas. Já outros são mais levianos: toda solteirona depois dos 40 é uma devassa, vadia que só quer saber de sexo fácil, rodada e por aí vai. Para os que pensam assim, eu indico que leiam esse texto aqui.

Não penso que a idade seja, em si, a questão nisso tudo. Existem mulheres mais novas muito mais maduras que um bando de “coroa” por aí. Assim como, existe muita “coroa” fazendo papelão, tentando agir como se tivesse 20 anos (não vou adentrar no universo masculino nesse quesito, pois nele, perdemos feio). Mas ainda assim, acho que há algo de errado quando nossas musas têm cada vez menos idade e não passam de uma babe-face montada num corpo escultural. Basta voltar nossos olhos para as novelas, filmes, séries e revistas, uma mulher com mais de 30 anos já é considerada uma “mulher mais velha”. Tão querendo o quê? Fazer com que as mulheres sigam os padrões de um atleta, de um jogador de futebol? Passou dos 30 já é fim de carreira? Ah, perdoai-vos pai, eles não sabem o que dizem.

Eu nunca fui o Rei da Balada

Quando eu era moleque a guria mais bonita era também a mais rica. Assim posto, eu nunca poderia me aproximar dela, na verdade me ensinaram que nunca deveria romper a barreira das classes. Desta forma eu vivia sempre estas paixões platônicas pelas meninas ricas e rezava sempre para meus pais ganharem na loteria e um dia eu conseguir ter alguma oportunidade. Na época a única forma de mudar de classe era virar político ou ganhar na loteria.

Analogias

Conforme fui crescendo e tendo eu trabalhar, vi que o abismo só aumentava. Mais de uma vez eu precisava ir embora, pois muitos pais não confiavam que o rapaz do bairro pobre poderia ficar estudando, mesmo sendo ele o mais inteligente e que fora ali ajudar a filha deles com a matéria.

Mas segui a vida suspirando. Aceitando minha sina e sempre renegado a nunca ter aquelas garotas de sonho. Chega uma hora que você aceita isso e segue a vida. Mais de uma vez eu mesmo replicava o que me foi ensinado quando esnobava alguma guria do bairro por ela não ser a mais “Bonita“ e não usar as roupas e adereços da moda. Felizmente isso um dia acabou e eu vivi grandes amores em meio as que eram da minha “classe”. Aquelas meninas suportaram bastante um garoto maluco e sem noção.

Eis que passo na universidade e sou jogado em um lugar em que poderia dedicar-me aos estudos e pensar em condições melhores de vida. Os meus tempos de faculdade foram os mas difíceis e os de maior aprendizado para a vida. Aprendi bem mais do que eu poderia esperar, aprendi bem mais que uma profissão. Enfim, na universidade eu estava lado a lado com princesas, com filhinhas-de-papai. Aprendi a duras penas que não adiantava ficar me lamentando e quietinho no meu canto. Aprendi que era só ter um papo bacana, conseguir quebrar o gelo e não pisar na bola que minhas chances aumentavam em muito.

Eram tempos estranhos, Meu Irmão. Eu passava fome em casa e saia para a balada bancado pelas meninas que eu ficava. Mais de uma vez fui chamado de gigolô, mas não ligava, eu estava entrando pela porta dos fundos nas mansões que sempre me foram fechadas. Eu estava no topo do mundo e ninguém podia me derrubar.

Eu não era bonito assim.

Tenho que assumir que me livrar de algumas destas relações foi difícil. Eu ficava dependente e era difícil largar e voltar para o meu feijão com arroz suado, mas logo acabei voltando à realidade e não cedendo ao deslumbre que o vil metal havia me dado.

Hoje tenho uma vida bem tranquila, já não preciso contar tanto as moedas para sair. Já posso ser eu mesmo e me envolver em relações baseadas no amor e na atração que sinto pela outra pessoa. Estou bem mais feliz e bem mais calmo que antigamente e admito que estou até um pouco mais gordo.

Sei que este texto não pode mudar o passado, sei que com ele não apago nenhum dos meus erros e falhas, mas queria sinceramente que pelo um garoto que pensava como eu leia este texto. Quero sinceramente que este texto o faça pensar que ele não precisa ser o “Rei da Balada” ou qualquer coisa parecida. Queria dizer pra este garoto que o dinheiro só vai trazer problemas diferentes para ele e que o que o mundo vende nunca é suficiente para chegar à satisfação. Quero dizer pra este cara que o carro que ele sonha em ter, as festas em que irá, o dinheiro que ele fará tudo para ter, não irão torná-lo melhor. Eu queria dizer que este garoto pode um dia ter tanto dinheiro que ao gastá-lo parecerá ridículo. Eu quero dizer para este garoto que existe muito mais coisas que o dinheiro não compra do que ele pode imaginar e que por mais que o mundo o faça engolir isso, ele ainda deve lutar. Eu quero dizer pra este garoto que se ele for a uma balada e perder uma oportunidade porque a outra pessoa esta interessada em dinheiro, ele estará se safando de uma enrascada tremenda. Eu quero dizer pra este garoto que ele pode sim ser feliz com uns tostões no bolso e que pode ter chances com a pessoa que ele quiser. E quero dizer pro garoto que ele só precisa não ser um babaca. Com esta dica o mundo já vai ser bem melhor que qualquer camarote governado por qualquer Monarca que precisa compensar o vazio de sua alma com gastos desmedidos. Eu quero dizer pro Garoto que a batalha vencida com poucos recursos mostra que ele é um bom estrategista e que dele eu me orgulho. E se alguém tiver uma máquina do tempo por ai, me faz um favor:

Volta lá um tanto e diz isso tudo para o garoto que eu fui…

Eu era bem elegante

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Dormir de conchinha

Dormir de Conchinha

Ah, que fofura e gostosura dormir de conchinha com a pessoa amada!! Melhor ainda, é acordar com seu corpo numa espécie de lamba-funk envolvente quando tudo o que o seu cérebro quer é que o seus braços o obedeçam, as pernas se movimentem de forma coordenada e que sua coluna na acuse a sessão de tortura chinesa a que você foi vítima nas últimas sete ou oito horas.

É neste exato momento que caminhar tranquilamente até a cozinha para um copo d’água ou uma xícara de café transforma-se num dos 12 trabalhos de Hércules… ou seria de hérnia?! Mas não se preocupe, você não está só. Todo mundo tem um pouco de faquir no início do namoro. Contudo, todavia e entretanto, não vá pensando você que está aqui uma defesa por camas separadas, linhas fronteiriças militarmente demarcadas e fortemente guardadas no leito, ou um diálogo noturno que se limite a um boa noite e um beijo na testa em nome do conforto.

Dormir de conchinha é um passo importante em toda relação. Há quem diga que o dormir de conchinha, sem ter sido precedido pelo sexo, é a mais singela e honesta declaração de amor. Penso que sim, mas também pode ser que não. Talvez não haja aí muito consenso. Mas uma coisa não dá pra negar, há aí, nessa formar de dormir dos pombinhos, uma intimidade tremenda. Nunca vi ninguém se aventurando por aí numa sonífera conchinha com qualquer um. Há aqueles que têm tórridas noites juntos, mas que na hora de dormir é um pra lá e outro pra cá. Há os que demoram mais tempo a se habituarem em dividir o leito, outros menos. Uns nem cogitam a hipótese de caírem nos braços de Morfeu em leito alheio. O certo é que encontrar o denominador comum nessa equação indica que há também um progresso na relação.

E mora aí uma questão séria, mais séria pensar. Afinal de contas, quem é que nunca acordou desesperado de um pesadelo no qual estava sendo violentamente esmagado, ou mesmo sufocado, e ao acordar se deparou com uma perna ou braço do mancebo ou da cria de costela a lhe comprimir funções vitais?! Outros tantos já tiveram a sensação de estarem caindo de um precipício quando, na verdade, aquele ser de meros 1,55 m. estava, de fato, ocupando toda a diagonal de uma cama que tem o dobro de seu tamanho?!

Dormir de conchinha, porém, deveria ser algo que todos os casais fizessem questão em seus relacionamentos. Todos os dias e sempre que puderem…por 30 a 40 minutos. Isso faz bem ao coração, libera os neurotransmissores, hormônios e ajuda na intimidade do casal. Mas é tipo a sesta, tem um tempo ideal. Caso contrário, o que te espera na manhã seguinte é um lamba-zouk-african-dance sambando na sua lordose.

Um dia lento

Viver na cidade é sempre esta coisa de correr para todos os lados. Em cada canto você precisa comprar algo para que você seja feliz. A velocidade é importante, o preço das coisas é importante. Mas você economiza tempo para o quê? Você economiza dinheiro para o quê? Já te digo irmão, você economiza tempo para correr mais, você economiza dinheiro para gastar mais e você continua sempre insatisfeito.

Você leva isso até para seus relacionamentos. Cria metas impossíveis para que a pessoa ao seu lado mantenha-se sempre tensa e buscando novas formas de te satisfazer. Mas Irmão, o que você faz para deixá-la feliz? Quais cuidados você dedica a ela? Quanto tempo você gasta olhando para ela, daquele jeito mesmo, direto nos olhos?

Me diz o que te faz feliz, me diz de que forma você consegue levar o dia para poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. Mas não, assim que você fecha os olhos, todos os problemas do dia vêm para te atormentar. Sabe aquela coisinha que você não fez? Aquela coisa pequena ou grande vem para você. Sentam ali sobre o seu peito e te impedem de respirar bem, te impedem de ter o descanso (merecido?). E o dia seguinte não vai ser melhor. O cansaço vai acumulando, vai virando aos poucos o peso do mundo sobre os teus ombros e você comemora a sexta-feira. Sai com os amigos ou senta em frente a televisão para poder relaxar. Você bebe e come em demasia, vai jogando mais lixo pra dentro do corpo procurando uma forma encobrir suas frustrações. E na segunda pela manhã pede logo para a semana passar rapidamente e esta, numa espécie de castigo divino, vai se arrastando lentamente.

Mas hoje eu fico na janela, peço um tempo para mim. Saio mais cedo do serviço, pois preciso resolver um grande problema em minha vida. Eu preciso parar este ciclo vicioso que me oprime e vai sugando aos poucos meu desejo de continuar. É hoje eu estou infeliz e pouco me importo se o mundo vai surtar com isso. É meu direito não manter o sorriso falso nos lábios mesmo diante de todas as adversidades. Hoje vou resgatar meus sonhos, vou atrás dos meus desejos e doa a quem doer, hoje vou voltar a caminhar em direção à minha felicidade. Vou voltar a dar um passo de cada vez e não pularei etapas. Bem mais que chegar ao final, eu preciso aprender no processo para poder aproveitar realmente o que eu conquistei.

Estou saindo agora, mas eu preciso perguntar: Você vem comigo?

 

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
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Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Variações de um mesmo drama

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E a cena se repete. Dia sim e dia também, casais no mundo inteiro colocam um ponto final em suas relações. O dia D, o juízo final do amor, é precedido por uma série de rituais e acontecimentos. Às vezes, alguns recursos meramente protelatórios, noutras um acordo tácito de silêncio, quase sempre uma troca de acusação, algumas noites de sexo desesperado, mas o fato é que quando o reino de Hades se torna o destino das juras entre os pombinhos e o velho Caronte estaciona sua barcarola em busca do amor moribundo, ninguém escapa ou mesmo ousa deixá-lo ir sem o óbulo devido. Correr o risco de dar de cara com aquela camisa desbotada, o par de chinelos gastos, aquele resto de perfume no travesseiro?! Jamais!!

O problema, contudo, são os bens em comum do casal. E se o intuito for causar danos, vendetta ao mal sofrido, retaliações à confiança perdida, esqueça meu caro, minha cara. Desceremos alguns anéis no inferno de Dante.

– O que você vai fazer com a discografia do Motörhead?!

– Não te interessa!! Metade desses CD’s são meus!

– Ok, então agora você resolveu cozinhar?! Comprei todos os livros do Jamie Oliver pra ver se você se tocava e colocava um pouco de romantismo nessa relação e nada…sei bem das suas intenções e suas vadias…

– Não!!! O meu xadrez do Star Wars, não!! Para, deixa isso aí!! Não… (Pronto, era uma vez a frota estelar…o lado negro da força se apossou dos corações raivosos)

E assim descontamos nossas frustrações, raiva, inveja e desprezo nos bens amealhados ao longo dos anos juntos.

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Há, porém, aqueles casais que procuram enfrentar a situação com uma pretensa frieza inglesa. Enviam um ao outro tudo devidamente etiquetado e empacotado. Acompanhado, é óbvio, de um singelo bilhete: Espero que esteja tudo aí. Caso contrário, peço alguém para deixar com você o que estiver faltando.

Existem também aqueles que deixam tudo pra lá. Simplesmente viram as costas e seguem cada um o seu caminho. A camiseta de mangas cortadas, o cd do Elton John…ficam ali, guardados como cicatrizes de fina casca. Mais dia, menos dia, o velho Caronte vem buscar seu óbulo. E aí, é melhor se afastar de telefones, e-mails e facebooks. Na melhor das hipóteses (ou na pior, nunca se sabe) quem encontra os rastros de quem por ali já passou é o novo amor, mas isso é tema pra outra oportunidade.

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O importante mesmo, independente do modo pelo qual se proceda, talvez seja não fazer aquilo ou agir de modo que não venha a sentir vergonha de si mesmo posteriormente e nem tão pouco despertar o desprezo alheio. Saiba como e quando sair de cena. Lamba suas feridas e siga adiante. Afinal de contas, como já diria um escritor cubano, sem muito drama que a vida é mesmo uma grande comédia.

“Peanuts” e as nossas menininhas ruivas.

Charlie Brown E Snoopy

Todos os sábados pela manhã eu acordava bem disposto e sentava diante da televisão para ver “Snoopy”. Ficava lá com os olhos grudados na telinha, encantado com aquele cachorro que fazia mil coisas. Dava conselhos, voava em sua casinha como se fosse um avião, escrevia usando máquina e tudo. Eram manhãs mágicas! Conforme o tempo passou fui prestando atenção no enredo a história em si e fui passando a gostar de cada personagem, a ficar feliz quando eles apareciam e a criar laços afetivos com todos eles. Eu odiava a Lucy Van Pelt com todas as minhas forças, principalmente quando ela aprontava alguma coisa com o Charlie Brown. Sério, mais de uma vez eu quis esganar aquela bandidinha por conta das atitudes dela. Linus era sempre um amigão e eu mesmo tinha lá minhas fraldas e mantinhas que carregava para todo canto. Mesmo hoje tenho cá uma cobertinha que sempre me acompanha nas viagens. Eu tive também meus momentos de evitar com todas as forças os banhos diários e mais de uma vez alguém da família me chamou de “Chiqueirinho”.
E eu acabei crescendo. Chegando a puberdade e eu não pude deixar de me identificar com o Charlie Brown. Eu era um menino tímido, tinha sonhos fantástico se sempre acreditava que algo surpreendente ia me acontecer e me tirar daquela confusão que era minha vida. Eu sempre desejava ser bom em esportes. Na verdade o que eu mais queria era ser bom em alguma coisa, mas parecia que o mundo não havia sido feito para minha compreensão ou para tornar minha existência mais branda. E assim como Charlie Brown, eu também me apaixonei…
Ela não era ruiva, mas mesmo assim provocava em mim as mesmas reações que a sua versão do desenho. Ela me deixava confuso, me deixava sem saber o que fazer, como agir, o que dizer. Escrevi cartas, tentei descobrir as coisas que ela gostava e comprei vários presentinhos para ela com os parcos recursos que eu tinha. Mas eu sempre travava. Não conseguia olhar naqueles olhos lindos e dizer que eu a amava. Não conseguia pegar em sua mão e dizer que era assim que eu queria caminhar ao seu lado, não conseguia dizer que o meu maior desejo era que ela fosse minha namorada. E um belo dia foi embora…..

Tristeza

Até hoje a imagino entrando em um ônibus qualquer enquanto eu fico olhando pela janela. Mandei meus beijos pelo vento e esperei que ela os recebesse e um dia me localizasse onde eu estivesse para devolvê-los com juros e correção monetária.
Eu queria sinceramente pode dizer que ela foi a única que deixei ir embora assim, mas depois delas foram muitas outras. Um belo dia acabei descobrindo que as oportunidades nunca voltam e que devemos dizer o que sentimos,obviamente escolhendo os momentos propícios.É a minha forma de honrar aquele garotinho que deixou que o seu primeiro amor fosse embora em um ônibus qualquer. Ele nunca mais vai vê-la, mas a vida segue. Aquele garotinho um dia vai crescer e encontrar a mulher de sua vida e vai perceber que não é aquela que entrou no ônibus. Eu queria dizer para aquele garotinho que isso tudo vai passar,mas fazer isso seria estragar toda a magia da vida. Mas eu amo de verdade aquele garotinho. Aquele garotinho chamado Charlie Brown.
peanuts
Em tempo:
Dia 2 de novembro as tirinhas do “Peanuts” completaram 63 anos. Um filme já está sendo programado para 2015.  E eu queria sinceramente agradecer a  Charles Schulz por ter criados os personagens que me encantaram tanto por esta vida.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

FRIENDZONE

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Não tem como, todos nós, em algum momento da vida, já passamos por isso: ter aquela garota que você deseja, mas que te vê somente como um grande amigo. Na verdade vai muito além disso, ela te vê como uma pessoa inofensiva, alguém que não representa risco algum. Ela te trata exatamente como a uma amiga.

Não há nada contra ter amigas mulheres. Todo homem precisa conviver com mulheres sinceras que lhe ensinem como um sujeito deve tratá-las, mas algumas relações beiram o doentio. Vê-se lá o sujeito venerando a garota, mas esta o mantém a uma distância segura e nunca leva a sério as investidas deste.

O cara passa a viver cada dia mais das migalhas que ela lhe dá, ele se contenta somente em dividir o mesmo recinto que ela, sem nunca sair daquela situação. Obviamente ela não tem obrigação nenhuma de ficar com o sujeito e deve deixar isso bem claro para não abrir brecha para más interpretações. Ao sujeito cabe entender que nem todas as mulheres do mundo são para ele e que nem sempre conseguimos o amor das deusas que veneramos. E ele precisa entender os sinais. Afinal, ninguém chega nesta situação sem que ambos permitam isso.

E o sujeito vai vê-la desfilando com muitos outros caras enquanto ele chupa o dedo. Aqueles caras, ao invés de criar uma relação de veneração, tratam a mulher como uma mortal. Esta é uma coisa que todos devemos entender quando nos apaixonamos: por mais que a pessoa aos nossos olhos tenha uma magia única e especial, ela continua sendo mais uma pessoa comum. Ao endeusarmos o outro, ficamos com medo de agir, perdemos as dicas e sinais que o outro manda e por fim, acabamos virando mais um amigo. Novamente reafirmo que nada de mal há nisso, o problema é quando não é isso que você procura.

Quem está na friendzone e deseja mudar as coisas, antes de tudo vai precisar se afastar. Vai precisar entender exatamente o que ele quer e pensar como conseguir. Vai precisar mexer neste conforto que ser o amiguinho dela traz e deixar bem claro quais são as suas intenções. Não dando certo o ideal é seguir sua vida e manter uma relação mais saudável com a garota. Você há de encontrar uma pessoa que vá te tratar e ser tratada de uma forma onde nenhum dos dois perderá.

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jardelito

Jardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.