As aventuras da escrita de um amador – O Processo

máquina de escrever
Há algumas semanas eu enrolava para escrever estes textos. Eu imaginei pelo menos dez ideias diferentes e um sem-número de versões de cada uma. Eu queria escrever tantos textos, mas a preguiça veio atrapalhando minha produção. Mas pensando bem, não sei se é somente ela a responsável pelo meu problema.

Mais de uma vez eu sentei em minha escrivaninha e comecei os esboços. De alguma forma eu olhava para todos e encontrava os mais variados problemas para finalizar a escrita. Seja a distração advinda da internet, seja um senso crítico voraz e sem piedade das frases ainda sem tratamento. Cheguei até a terminar um texto e empacar logo após enviar para os meus leitores críticos (namorada e dois amigos). Mas porque eu não pegava logo um texto e ia até o final?

Admito que tenho um medo enorme de finais. Chega a beirar o pânico. Pegar a ideia, ir moldando, criando argumentos, conflitos e tramas é coisa bem tranquila se comparada com o final. Acho que quando vou me aproximando dos derradeiros momentos, preciso encontrar a melhor forma de despedir de algo criado por mim, um pedaço de minha dedicação e cuidado. Sem contar as tantas vezes que estraguei materiais interessantes com finais medíocres. E mais de uma vez salvei textos de argumentos nebulosos e confusos com finais bem produzidos.

Me angustia também saber que o material já está pronto para ser compartilhado. É a hora em que a minha produção sai para o mundo e irá enfrentar toda sorte de destinos. Já tive material utilizado em cursos, publicado m revistas virtuais, distribuído em eventos e até compilado em um livro que nunca foi publicado. Muitas produções tiveram destinos bem piores que o lixo, mas sempre preciso lembrar que isso está muito além do meu controle. Mesmo sabendo disso, o incomodo ainda me impede muitas vezes de trabalhar. Às vezes, tudo vem em forma de preguiça, falta de tempo ou tempo demais. Às vezes, são ideias em excesso impedindo um pouco que seja de concentração, mas aos trancos e barrancos alguma coisa sai.

Levando em conta tudo isso, cada produção é uma vitória. É o resultado de batalhas internas tremendas e que até mesmo o processo pode gerar boas narrativas. Quando termino sinto um alivio tremendo, como se o um peso do tamanho do mundo fosse tirando de minhas costas. Mas essa sensação não dura muito e logo a mente já fica agitada e uma pergunta volta a fervilhar:
Sobre o que escrevei agora?

Em tempo: Temos cá um ótimo texto falando também sobre este processo – http://www.andretimm.com/blog/13525606

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

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Só um dia ruim?

É como uma grande montanha de entulho e alguém joga uma pedrinha lá em cima e tudo desmorona. Meu dia foi parecido com isso, mas para ficar igual seria preciso trocar o entulho por um monte de merda. Agora imagine tudo caindo em cima de mim.

Vou mudar a linha do tempo e começar aqui do final. Ver se começando do fim, eu consigo voltar àqueles momentos que antecederam o inicio de todas as confusões.

 

Ao chegar a casa eu precisava de uns goles. Nada muito pesado, mas só umas doses para entorpecer um pouco o corpo. Só um pouco de alivio no meio da bagunça toda. Fui ao boteco vizinho de casa e lá sou informado que por problemas com  a entrega, eles estavam sem cerveja. Perguntou se eu queria mais alguma coisa e tive que me segurar para não pedir veneno. Comprei só um refrigerante e me tranquei em casa. Ela fedia demais, pois ao tentar abrir a ultima garrafa de vinho da dispensa, acabei derrubando tudo e perdendo o precioso liquido. Tentei limpar a sujeira, mas acabou que os produtos de limpeza que usei só fizeram piorar o cheiro. Chegou ao ponto de precisar usar um pano amarrado no rosto para conseguir transitar.

Abri a geladeira e tirei de lá uma garrafa de Steinhaeger. Meu objetivo era misturá-lo na cerveja, mas na falta dela, ia ser com refrigerante mesmo. Refrigerante de Guaraná com Steinhaeger. Espero que seja efetivo.

 

A gota final para decidir o porre foi justamente a ligação da mulher que amo. Eu sei que estamos aos trancos e barrancos, mas ela é quem me encanta. Acontece que depois de uns vacilos meus a nossa relação anda balançada e nesta última ligação ela terminou tudo. Depois de tanto tempo, ela decidiu por um fim na confusão que se virou nossas vidas. Não a culpo, acho que não conseguiria isso de modo algum. Sou destas pessoas de difícil convivência e que nunca aceita estar errado. Eu sou assim e não mudo, qualquer pessoa esperta corre para bem longe quando descobre isso.

Foi tenso ela ter ligado quando eu estava saindo do trabalho. Sai mais cedo fugindo dos gritos do meu chefe. Problemas em uma planilha que já deveria ter sido enviada e centenas de pessoas teriam seus salários atrasados por conta deste descuido. Eu já estava meio balançado durante o dia, mas naquela hora em que tentei terminar a planilha, eu só queira terminar aquilo para ir embora. Não sei o que arrumei no teclado, mas no mesmo momento em que mandei salvar o trabalho, digitei um comendo errado e todos os dados foram embora. Tudo perdido. Uma semana inteira tentando finalizar aquilo e eu estraguei tudo. Uma semana tentando provar que eu merecia aquela vaga e perdi minha melhor chance.

 

Tenho certeza que estaria bem mais centrado no trabalho se por acaso minha obturação não houvesse caído durante o almoço. Eu adiava há meses ir ao dentista e o preço foi cobrado. Tava eu lá bem feliz mastigando minha carne moída e do nada soltou a obturação. Muita dor e um almoço mastigável abandonado.

 

Eu sei que você deve estar pensando que é sofrimento demais e que minhas doses são merecidas. Eu poderia contar o que em aconteceu pela manhã, mas eu preciso poupá-los de mais desgraça. Eu preciso me poupar de lembrar mais coisas. Só assim para dormir hoje. Isso e mais algumas doses. Deixem-me aqui afundando neste mundo de entorpecência que o álcool proporciona. Deixem-me catando as migalhas que me sobram de vida para dormir hoje. E façam um favor a um podre bebum: DEIXEM-me curtir a ressaca sozinho amanhã. Só isso que eu quero. Deixem-me ficar com um sofrimento que eu escolhi e não um que é resultado das minhas escolhas. Deixe cá essa velha carcaça queimar no álcool. Deixem esse cara dormir até amanhã.

Pode ser?

 

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

 

HODIE

noite-no-cemiterio

Eu fico aqui sentado neste lugar e pensando em tudo que aconteceu. Lembro-me dos meus erros e lembro os (poucos) acertos. Lembro que muitos caminharam ao meu lado, mas que eu sempre estive sozinho.
Eu poderia sentir um turbilhão de coisas, mas sempre que estou aqui eu me sinto em paz. Vejo tantas lápides ao meu redor, vejo tantas vidas que chegaram o fim. Vidas que eram tão importantes quanto a minha e que agora estão debaixo destes pedaços de pedra ou em covas rasas. Acho engraçado que mesmo aqui dá pra ver a diferenças das classes, mas todos estão sendo comidos pelos mesmos vermes. Estes sim não fazem distinção entre cor, credo, classe social ou opção social. Ok, eu fico meio mórbido e meio irônico, mas é culpa do ambiente. E digo que aqui só fica melhor quando a noite chega.

Eu vinha para cá e sempre encontrava pessoas zanzando por aqui, mas admito que nunca tive coragem de perguntar se eram vivos ou os mortos. Sabe como é, determinadas coisas não devem ser perguntadas. Sem contar que não faz diferença, vivo ou morto, quero só ficar na minha sem atrapalhar ninguém e sem que ninguém me atrapalhe.

crédito: Toninho Cury

crédito: Toninho Cury

E de noite cada sombra pode ser algo do além. Vejo os vultos, vejo o ventos nas árvores e nos mausoléus. O lugar ganha ares mágicos, parece que é um lugar mil vezes maior. Mais de uma vez fiquei perdido nas noites. Na verdade eu fico quase sempre perdido. Eu descubro novos caminhos e passagens. Mas já sofri acidentes também. Várias vezes cai em valas que iriam receber novos moradores. Algumas vezes subi em lápides que quebraram com meu peso e meu pé ia parar bem lá no lugar onde os ossos dos defuntos ficam. Já tomei umas pancadas de policias e até do coveiro. Por fim descobrir rotas de fuga e que o coveiro bebe as cachaças dos despachos que aparecem aqui. E que ele nem sai da toca dele se eu deixar na porta uma garrafa. ele bebe a dele, eu bebo as minhas e vivemos felizes.

Claro que eu tenho meu lugar especial. Claro que eu tenho os locais onde me sinto mais à vontade. Os locais onde eu me sinto mais conectado com este mundo. Por exemplo, este lugar em que estou, este pequeno ninho que fica entre alguns túmulos e que me permite ter uma visão ampla do céu e que me protege do vento frio que sempre rola por aqui. Daqui do meu ninho posso ver várias coisas, entre elas a seguinte inscrição em um túmulo:

Lápide com inscrições em latim.

“Hodie mihi, cras tibi” 
Hoje meu, amanhã teu. É das coisas que fazem pensar. Hoje estou aqui me sentindo fantástico, na certeza que posso tudo, mas amanhã serei mais um aqui embaixo. Mas só amanhã, porque hoje eu tenho toda a vida do mundo dentro de mim e que sou infinito. E vou embora deste lugar viver um cadinho lá junto dos vivos.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

 

Vale Tudo

Cada livro tem uma história única para cada leitor. Cada leitor tem uma história ligada aos livros e como o exemplar caiu em suas mãos. Não preciso nem comentar que é uma união única destes sujeitos.

Eu tenho uma paixão por livros tremenda e tenho centenas em minha casa, mas sempre estou em busca de novos livros e de novas experiências de leitura. Para isso eu vivo buscando livros sobre temas que não estão entre os meus favoritos e estilos de narrativa diferentes. Com estas praticas acabei descobrindo verdadeiras maravilhas que poderiam passar despercebidas diante do meu preconceito literário.

Durante muito tempo eu fiquei alheio às biografias. Nada nelas me atraia, entendem? Eu poderia gostar bastante da pessoa que estava sendo ali retratada, mas pouco me importava sua história e sim o que ela representava para mim no momento. Enfim, calhou de em algum momento ter pego uma biografia em mãos e fiquei apaixonado. Principalmente biografia de artistas das mais variadas formas de artes.

Eis que recentemente consegui o livro “Vale Tudo –  O Som e a Fúria de Tim Maia” escrito pelo Jornalista (e muitas outras coisas) Nelson Motta. Há tempos eu queria ler esta biografia e já até havia adquirido um exemplar, mas em um arroubo de bondade alcoólica, dei de presente o livro para um amigo mesmo tendo acabado de comprá-lo.

Capa do Livro Vale Tudo

O livro nos leva em uma viagem pelo mundo e pela vida de Tim Maia. Cantor muito conhecido por não comparecer aos próprios shows e por ser bem porra loca. Acompanhamos sua infância no Rio de Janeiro e seus primeiros passos pelo mundo musical. De como ele embarcou para os EUA e que circunstancias envolveram o seu retorno.

Nelson Motta e Tim Maia

Nelson Motta e Tim Maia

De como um sujeito com uma voz fantástica dividiu a juventude com Roberto Carlos e Erasmo Carlos. É fantástico descobrir quais foram as influencias do cantor e de como ele foi aos poucos construindo uma identidade musical. Do seu processo de criação e detalhes de sua vida pessoal. E o maior problema das biografias é quando retratam um sujeito que já morreu e vamos acompanhando sua caminhada. Ficamos lá lendo sobre os momentos de sua vida e com um medo tremendo de ver aquela pessoa morrer. É como ler um livro que já se sabe o final, mas assim como o livro, não sabemos exatamente como aquele fato foi retratado. Dependendo da abordagem, saber o que acontece não estraga em nada o processo da leitura.

Admito que a leitura causou grande desconforto justamente por saber que o Tim morreria em Março de 1998. Acompanhamos um Sujeito que tinha como regra o excesso, tudo precisava ser em grandes quantidades, seja em comida, seja em drogas, seja em sucesso, seja em intensidade. Você acaba vendo momentos em que o sujeito paga pelas consequências dos atos impensados dele. De como o dinheiro entrava e saia do caixa e de como ele sempre vinha graças ao talento de Tim. E você acompanha o quanto aproveitadores e golpistas rondaram sua vida.

Vai dando angustia por notar traços no artista que dizem sobre mim. Destes momentos em que deixamos os problemas em segundo plano e estes vem nos incomodar no futuro, na capacidade de gastar tudo que ganhou e no caos que era sua vida. Fiquei tenso conforme ele ia usando tantas drogas e sendo descuidado da saúde e me lembrava sempre de como eu mesmo havia sido tão leviano em muitos momentos da minha vida. Naquelas frases contanto a história do Tim, eu ia me envolvendo e sofrendo. Mais de uma vez recebo bofetadas que atingiam de forma certeira coisas que eu não gostaria de lidar. Mas mesmo assim a leitura do livro foi fantástica.

“Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” é um livro para se ler em um só fôlego. Eu acompanhava a vida de Tim Maia e ia crescendo junto com ele, errava junto e comemorava suas vitórias. Cada show me fazia sentir como se eu o visse da plateia. Com cada desilusão amorosa, eu sofria com ele. E o xinguei bastante por muitas atitudes que eu discordei. Mas este foi o Tim e o livro é fantástico. Parabéns ao Nelson Motta pela escrita fluida e fácil.

 Tai uma das músicas que descobri nesta biografia:

“These are the songs

I wanna sing
These are the songs
I wanna play
I will sing it every (little) time
And I will sing it every day (Now listen here)

These are the songs
That I wanna sing and play

Esta é a canção que eu vou ouvir
Esta é a canção que eu vou cantar
Fala de você, meu bem
E do nosso amor também
Sei que você vai gostar”

Livro recomendadíssimo e que nos faz pensar que além do sujeito que faltava a tantos shows, havia um homem como nós.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Manifesto

Logo do Manual

Lembro que criamos o Manual em uma mesa de bar lá em São João Del Rei. Estávamos bebendo e filosofando sobre a vida e os amores. Não conseguíamos entender este jeito desleixado e sádico de manter relacionamentos. Decidimos tomar uma atitude: criaríamos um meio de mostrar nosso descontentamento com estas práticas e mostraríamos que outros caminhos eram possíveis. Já havíamos enveredado em outra época pela internet com outros projetos, mas desta vez criaríamos um blog para expressar nossas ideias de forma que fugisse à panfletagem e os guias quadradões que surgem toda semana. Queríamos que o ato de entender e resgatar este romantismo perdido fosse prazeroso de se ler, que ele fosse feito de forma que você nota-se a mensagem ao se divertir lendo os textos.

De lá para cá o Manual já teve diversas contribuições e produtos. Durante um tempo distribuímos versões impressas do Manual por eventos pelo Brasil e já tentamos mais de uma vez produzir um podcast. Estamos pensando em novas produções tanto para aumentar o alcance de nossas ações, quanto diversificar as formas de fazer com que o Manual e suas ideias sejam compreendidos e a cada dia vemos que mais pessoas leem nossos escritos. Isso nos motiva a escrever e produzir mais.

O Manual peca muitas vezes pela falta de pessoas para escrever nossos textos e produzir material. Não que não existam candidatos, mas é que não adianta incluir em nossas frentes os candidatos sem que estes tenham ideias que se entrem em sintonia com nossa filosofia. Não queremos em momento nenhum que o Manual se torne somente mais um guia de conquista vazio e que reproduza o status quo. Para integrar o Manual, além de boa escrita, é preciso ser um sonhador e acreditar no amor. Acreditar mesmo que o mundo lhe dê provas diárias do contrário. Nossa equipe é composta por pessoas que ainda sonham. Pessoas que não tem medo de olhar nos olhos das pessoas e dizer o quanto elas são importantes, olhar no olho e dizer: Eu Gosto de você.

Mais de uma vez fomos chamados de loucos com nossa filosofia. Mais de uma vez fomos criticados por pessoas que achavam que nosso modo de agir não condizia com a realidade. Mas como viver exatamente igual aos demais se somos cá pessoas que andam na contra mão do mundo? Pra que ser mais um dos que falam sobre números ao invés de falar sobre os detalhes de cada uma de suas conquistas? Falar sobre o que cada uma representou em sua vida e admitir que sentimos sim falta dela quando isso ocorrer.

Somos aqueles sujeitos que vão te amar sem exigir que você siga os padrões de comportamento estabelecidos por uma sociedade burra e opressora, sociedade que diz que existem padrões de beleza que devem ser perseguidos com todas as nossas forças, num movimento gigante de eterna insatisfação. Nós te amamos pelo que você é. Amamos cada curva do seu corpo, amamos cada cicatriz, mancha de nascença. Amamos tudo que te torna única. Amamos seu jeito de sorrir, amamos seu jeito de habitar o mundo sendo apenas Você. Acreditamos na pessoa de verdade, na pessoa saudável e que não tem medo de ser livre. Amamos o real e é com ele que sonhamos.

E o Manual segue com seu trabalho. Segue nesta esperança e desejos de um mundo melhor e com formas de relacionamento melhores.

 @os canalhas

Nós acreditamos que é possível.

Sexo, Moral e Videotape

Já começo o texto com uma noticia alarmante: 99% das mulheres que eu conheço fazem sexo! Elas fazem sexo das mais variadas formas e para completar, algumas delas transam também com outras mulheres. Algumas delas são frigidas, algumas adoram sexo oral e outras não abrem mão de anal. E a contagem só não chega a 100% porque algumas delas escolheram esperar e outras são freiras.
Sabe o que isso tudo significa? Significa que elas são normais! Elas não são doentes ou tem problemas psicológicos, não são vadias ou qualquer outro termo chulo que você possa inventar ou replicar. E mais ainda: Elas não cometem crime algum por viverem sua sexualidade. E graças ao preconceito, machismo e outras besteiras, estas mulheres muitas vezes se sentem desconfortáveis por quererem e gostarem de sexo.
Já ando a tempos estressado com este povo que julga os outros do autor do seu pedestal, seja ele religioso, de gênero ou cultural. Apontamos para as mulheres que transam com quem querem e dizemos: “Tá indo ali uma puta.”, “Fulana é vadia.”, “Sicrana é pra namorar e Beltrana não é.” Enquanto isso ficamos aqui com nossas travas, com nossos desejos não realizados, com nossa busca sempre protelada de felicidade. eu quero deixar bem claro que o fato da nossa vida ser medíocre não nos dá direito de julgar e atacar os que buscam uma vida plena e feliz. Apontamos o dedo para quem é livre num movimento de inveja e incomodo. Somos covardes e não vamos adiante na busca de realizarmos nossa potencialidade e no caso das mulheres, estas sofrem ainda mais.
Vamos pensar como a cultura apresenta a mulher:
– Nascem para ser mães.
– Só serão felizes se casarem e tiverem filhos.
– Devem casar virgens e não se importar com a experiencia sexual do parceiro.
– Podem até estudar, mas devem saber desenvolver bem as atividades do lar.
– Devem vestir-se de forma recatada para evitar que sofram qualquer violência ou ataque dos outros.
– (inclua aqui todos os itens que eu esqueci.)
Imagine o sofrimento das mulheres que vivendo sobre todos estes dogmas! Imagine crescer dizendo que você é o sexo frágil e que terá que apoiar sua vida na de um outro homem para poder ser feliz!
Mais de uma vez tive que lidar com mulheres que sofriam diante destas coisas, mas que as replicavam. Elas eram também agentes do sofrimento delas justamente porque desde sempre viveram ouvindo que aquilo era certo. Ficamos horrorizados com a forma com que as mulheres são tratadas em alguns países, mas esquecemos dos apedrejamentos diários que fazemos contra tantas mulheres no decorrer do nosso dia. Mais uma vez estamos apontando os erros dos outros e esquecemos dos problemas aqui no nosso quintal.
O Que fica na memória e o que fica na rede
Adoro filmes pornôs. Não tenho vergonha nenhuma em dizer, mas se uma mulher diz isso, logo causa espanto. Afinal, a mulher é casta e esta esperando marido, pensar em sexo antes do casamento é pecado! Se já pensamos assim, imagina quando uma mulher que não é do ramo, acaba sendo personagem de uma filmagem erótica!
RAMEIRAS! VAGABUNDAS! SE TIVESSEM SE DADO AO RESPEITO NÃO ESTARIAM SOFRENDO ISSO!
Pera! Para Tudo! A vitima agora é a culpada? Já não basta nas situações de estupro e violência, elas vão ser as culpadas quando um babaca qualquer divulga os videos íntimos destas mulheres? A guria participa da gravação, curte o momento e depois ainda é julgada por trocentos babacas. O Sujeito divulga os videos e ainda tentar se passar como vitima! E para piorar o sujeito reforça a fama de comedor enquanto a guria muitas vezes precisa sair do emprego, deixar de sair de casa e estudar. Sendo que ela não fez nada para merecer isso!
E fica martelando sempre em minha cabeça que é sem fundamento julgar estas mulheres, pois elas fazem o mesmo sexo que fazemos todos os dias com nossos parceiros. Elas transam e estão sendo felizes com isso, mas não nos contentamo em aceitar isso e as esprememos, massacramos, perseguimos até o momento em que muitas destas preferem tomar medidas extremas. E cada uma destas vidas estará profundamente marcada por cada uma de nossas violências.
Para piorar ainda mais o quadro, vivemos na era das redes sociais. Estas ferramentas estão servindo a um propósito perverso ao permitir que as pessoas possam dizer o que quiserem, sem sofrerem consequências imediatas e que muitas vezes nunca sofrerão. Se eu xingo uma pessoa na rua, a possibilidade dela reagir olhando nos meus olhos, seja com punhos ou palavras e imensa, mas pela internet temos este escudo que só faz aumentar nossa covardia e perversidade.
E vamos seguindo nossas vidas. Para as vitimas resta a vergonha e o preconceito, aos culpados, fica a consciência tranquila e penas pequenas. Para nós que julgamos e fazemos tanto escarcéu, fica só a espera do novo caso e da nova bruxa para queimarmos nas fogueiras do nosso preconceito.

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Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
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As Aventuras das Tardes

Fui daquelas crianças que viveram em frente da televisão. Adorava os filmes da Sessão da Tarde e eu mesmo queria participar de todas aquelas aventuras e ao final ganhar o beijo da Mocinha que eu salvei. Eu suspirava e não ligava para os perigos.

Eu queria ser Indiana Jones e viajam o mundo combatendo os nazistas e usando meu chicote. Na minha imaginação eu usava qualquer cinto do meu Pai para ter o meu chicote. Admito que mais de uma vez tomei umas pancadas após quebrar alguma coisa ou desaparecer com o “chicote”.

Eu crescia vendo os nerds e mais fracos da escola dando a volta por cima e conseguindo vencer os valentões. Eles sempre tinham amigos legais, uma turma bacana e fiel e eu inveja a todos eles.

Eu sonhei em embarcar no DeLorean e ir para uma data qualquer, mas se pudesse escolher eu queria ir pro futuro e ter um skate voador. Se eu pudesse escolher seria isso mesmo! E eu ia adorar também nos dias de chuvas, aquelas roupas que secavam sozinhas.

Eu cresci mas a nostalgia daqueles tempos continuam. Tardes em que os filmes eram reprisados à exaustão e mesmo assim ainda me deixam cheio de vontade de ver.

Lembro que meu fiquei louco quando descobri que havia personagens do Mortal Kombat que eram baseados nos personagens do “Os Aventureiros do Bairro Proibido”

 Eu acompanhei “Karatê Kid” e vi as sovas que aquele rapaz levou. Eu mesmo não entendia as lições do Senhor Miyagi até ver seu pupilo vencer os outros sujeitos usando as técnicas que ele havia ensinado sem que o aluno entendesse.

São tantos filmes, tantos momentos que lembram aquele menino com os olhos brilhando em frente a TV. Aquele que fantasiava ser o Mocinho de cada história e que foi crescendo e perdendo um pouco da inocência. Mas cada um destes filmes, cada uma das trilhas sonoras ainda fazem este adulto ficar com o coração batendo diferente. Este adulto aqui ainda lembra das coisas boas de quando era menino, este adulto aqui cresceu, aprendeu responsabilidades, trabalha e tem um bom salário.

Mas eu preciso dizer que este adulto aqui, este mesmo que tá escrevendo, este adulto aqui ainda vive cada história como se fosse o Herói, vive cada história salvando mocinhas e derrotando bandidos, esse adulto ainda é Arqueólogo, Policial, Herói Mascarado, Viajante Espacial e Gladiador.

Escrevendo tudo isso e repensando a vida, sei que aquele menino esta feliz. Suas aventuras vão durar para sempre aqui dentro do meu coração!

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

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Esmalte, Maquiagem e a Paulista

Bem antes do querido Criolo cantar que não existe amor em São Paulo, eu fui por aquelas bandas passar uns dias. Tenho várias estórias bacanas para contar, mas segue uma bem inusitada.

A festa da véspera tinha sido fantástica. Nela os homens estavam vestidos de mulher e as mulheres de homem. Fui arrumado por algumas amigas e elas capricharam bastante. Maquiagem completa, esmalte vermelho na unha e batom. Lembro que a festa só terminou ao amanhecer e na energia que ainda estava, não consegui dormir por nada. Eis que me junto a outro grupo de pessoas e resolvemos dar uma volta na Av. Paulista.  Troquei de roupa e logo segui o pessoal.

Já no metrô eu notava as pessoas me encarando ou dando uma daquelas olhadas furtivas, algumas riam, outras faziam cara de espanto e mais de uma fez cara feia. é nesta hora que você descobre porque seus amigos estavam rindo bastante quando você disse que ia acompanhá-los no passeio. Eu no alto do meu desconhecimento sobre maquiagem não sabia que os produtos que as meninas usaram em mim não saia com água.  Ai vocês imaginam comigo: Um sujeito de 1,80, moreno, cabelo curto, esmalte vermelho vivo nas unhas, lápis de olho às 9 da manhã andando por São Paulo. Ok, não devia causar estranhamento nenhum, mas não sei porque, naquele dia estava causando.

Descemos na Paulista e seguimos passeando. Paramos para tirar foto, uma ou outra pessoa chegava pra conversar e íamos tranquilos. Eis que resolvemos comer porcaria e entramos em um McDonalds da vida. O Atendente tinha aquela cara de paisagem característica de quem não gosta nem um pouco do trabalho e que traz indícios de que a vida dele não anda lá essas coisas. Faço meu pedido e enquanto esperava, apoiei as mãos no balcão.  O Esmalte cintilou, atraiu a atenção dos que estavam ao redor e o atendente arregalou os olhos, fez aquela cara de espanto e ficou meio segundo sem reação. Quando voltou ao normal me pediu desculpas e foi logo cuidar do meu pedido.

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Depois da Lanchonete ainda andamos bastante por Sampa até voltar para o alojamento e as meninas liberarem acetona e removedor de maquiagem para mim. Rimos bastante da história e as meninas só tiveram um veredito disso tudo:

– Eu fico Muito Feio Vestido de mulher…

(Mas Carnaval eu não deixo de vestir mesmo!)

Em Tempo: O Canalha Sentimental Marchiori esta andando lá pela terra da Garoa. Quem Quiser pode chamá-lo para uma cerveja e um café. Mas não esperem que ele apareça de maquiagem.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Eu nunca fui o Rei da Balada

Quando eu era moleque a guria mais bonita era também a mais rica. Assim posto, eu nunca poderia me aproximar dela, na verdade me ensinaram que nunca deveria romper a barreira das classes. Desta forma eu vivia sempre estas paixões platônicas pelas meninas ricas e rezava sempre para meus pais ganharem na loteria e um dia eu conseguir ter alguma oportunidade. Na época a única forma de mudar de classe era virar político ou ganhar na loteria.

Analogias

Conforme fui crescendo e tendo eu trabalhar, vi que o abismo só aumentava. Mais de uma vez eu precisava ir embora, pois muitos pais não confiavam que o rapaz do bairro pobre poderia ficar estudando, mesmo sendo ele o mais inteligente e que fora ali ajudar a filha deles com a matéria.

Mas segui a vida suspirando. Aceitando minha sina e sempre renegado a nunca ter aquelas garotas de sonho. Chega uma hora que você aceita isso e segue a vida. Mais de uma vez eu mesmo replicava o que me foi ensinado quando esnobava alguma guria do bairro por ela não ser a mais “Bonita“ e não usar as roupas e adereços da moda. Felizmente isso um dia acabou e eu vivi grandes amores em meio as que eram da minha “classe”. Aquelas meninas suportaram bastante um garoto maluco e sem noção.

Eis que passo na universidade e sou jogado em um lugar em que poderia dedicar-me aos estudos e pensar em condições melhores de vida. Os meus tempos de faculdade foram os mas difíceis e os de maior aprendizado para a vida. Aprendi bem mais do que eu poderia esperar, aprendi bem mais que uma profissão. Enfim, na universidade eu estava lado a lado com princesas, com filhinhas-de-papai. Aprendi a duras penas que não adiantava ficar me lamentando e quietinho no meu canto. Aprendi que era só ter um papo bacana, conseguir quebrar o gelo e não pisar na bola que minhas chances aumentavam em muito.

Eram tempos estranhos, Meu Irmão. Eu passava fome em casa e saia para a balada bancado pelas meninas que eu ficava. Mais de uma vez fui chamado de gigolô, mas não ligava, eu estava entrando pela porta dos fundos nas mansões que sempre me foram fechadas. Eu estava no topo do mundo e ninguém podia me derrubar.

Eu não era bonito assim.

Tenho que assumir que me livrar de algumas destas relações foi difícil. Eu ficava dependente e era difícil largar e voltar para o meu feijão com arroz suado, mas logo acabei voltando à realidade e não cedendo ao deslumbre que o vil metal havia me dado.

Hoje tenho uma vida bem tranquila, já não preciso contar tanto as moedas para sair. Já posso ser eu mesmo e me envolver em relações baseadas no amor e na atração que sinto pela outra pessoa. Estou bem mais feliz e bem mais calmo que antigamente e admito que estou até um pouco mais gordo.

Sei que este texto não pode mudar o passado, sei que com ele não apago nenhum dos meus erros e falhas, mas queria sinceramente que pelo um garoto que pensava como eu leia este texto. Quero sinceramente que este texto o faça pensar que ele não precisa ser o “Rei da Balada” ou qualquer coisa parecida. Queria dizer pra este garoto que o dinheiro só vai trazer problemas diferentes para ele e que o que o mundo vende nunca é suficiente para chegar à satisfação. Quero dizer pra este cara que o carro que ele sonha em ter, as festas em que irá, o dinheiro que ele fará tudo para ter, não irão torná-lo melhor. Eu queria dizer que este garoto pode um dia ter tanto dinheiro que ao gastá-lo parecerá ridículo. Eu quero dizer para este garoto que existe muito mais coisas que o dinheiro não compra do que ele pode imaginar e que por mais que o mundo o faça engolir isso, ele ainda deve lutar. Eu quero dizer pra este garoto que se ele for a uma balada e perder uma oportunidade porque a outra pessoa esta interessada em dinheiro, ele estará se safando de uma enrascada tremenda. Eu quero dizer pra este garoto que ele pode sim ser feliz com uns tostões no bolso e que pode ter chances com a pessoa que ele quiser. E quero dizer pro garoto que ele só precisa não ser um babaca. Com esta dica o mundo já vai ser bem melhor que qualquer camarote governado por qualquer Monarca que precisa compensar o vazio de sua alma com gastos desmedidos. Eu quero dizer pro Garoto que a batalha vencida com poucos recursos mostra que ele é um bom estrategista e que dele eu me orgulho. E se alguém tiver uma máquina do tempo por ai, me faz um favor:

Volta lá um tanto e diz isso tudo para o garoto que eu fui…

Eu era bem elegante

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

Um dia lento

Viver na cidade é sempre esta coisa de correr para todos os lados. Em cada canto você precisa comprar algo para que você seja feliz. A velocidade é importante, o preço das coisas é importante. Mas você economiza tempo para o quê? Você economiza dinheiro para o quê? Já te digo irmão, você economiza tempo para correr mais, você economiza dinheiro para gastar mais e você continua sempre insatisfeito.

Você leva isso até para seus relacionamentos. Cria metas impossíveis para que a pessoa ao seu lado mantenha-se sempre tensa e buscando novas formas de te satisfazer. Mas Irmão, o que você faz para deixá-la feliz? Quais cuidados você dedica a ela? Quanto tempo você gasta olhando para ela, daquele jeito mesmo, direto nos olhos?

Me diz o que te faz feliz, me diz de que forma você consegue levar o dia para poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. Mas não, assim que você fecha os olhos, todos os problemas do dia vêm para te atormentar. Sabe aquela coisinha que você não fez? Aquela coisa pequena ou grande vem para você. Sentam ali sobre o seu peito e te impedem de respirar bem, te impedem de ter o descanso (merecido?). E o dia seguinte não vai ser melhor. O cansaço vai acumulando, vai virando aos poucos o peso do mundo sobre os teus ombros e você comemora a sexta-feira. Sai com os amigos ou senta em frente a televisão para poder relaxar. Você bebe e come em demasia, vai jogando mais lixo pra dentro do corpo procurando uma forma encobrir suas frustrações. E na segunda pela manhã pede logo para a semana passar rapidamente e esta, numa espécie de castigo divino, vai se arrastando lentamente.

Mas hoje eu fico na janela, peço um tempo para mim. Saio mais cedo do serviço, pois preciso resolver um grande problema em minha vida. Eu preciso parar este ciclo vicioso que me oprime e vai sugando aos poucos meu desejo de continuar. É hoje eu estou infeliz e pouco me importo se o mundo vai surtar com isso. É meu direito não manter o sorriso falso nos lábios mesmo diante de todas as adversidades. Hoje vou resgatar meus sonhos, vou atrás dos meus desejos e doa a quem doer, hoje vou voltar a caminhar em direção à minha felicidade. Vou voltar a dar um passo de cada vez e não pularei etapas. Bem mais que chegar ao final, eu preciso aprender no processo para poder aproveitar realmente o que eu conquistei.

Estou saindo agora, mas eu preciso perguntar: Você vem comigo?

 

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.