Sexo, Moral e Videotape

Já começo o texto com uma noticia alarmante: 99% das mulheres que eu conheço fazem sexo! Elas fazem sexo das mais variadas formas e para completar, algumas delas transam também com outras mulheres. Algumas delas são frigidas, algumas adoram sexo oral e outras não abrem mão de anal. E a contagem só não chega a 100% porque algumas delas escolheram esperar e outras são freiras.
Sabe o que isso tudo significa? Significa que elas são normais! Elas não são doentes ou tem problemas psicológicos, não são vadias ou qualquer outro termo chulo que você possa inventar ou replicar. E mais ainda: Elas não cometem crime algum por viverem sua sexualidade. E graças ao preconceito, machismo e outras besteiras, estas mulheres muitas vezes se sentem desconfortáveis por quererem e gostarem de sexo.
Já ando a tempos estressado com este povo que julga os outros do autor do seu pedestal, seja ele religioso, de gênero ou cultural. Apontamos para as mulheres que transam com quem querem e dizemos: “Tá indo ali uma puta.”, “Fulana é vadia.”, “Sicrana é pra namorar e Beltrana não é.” Enquanto isso ficamos aqui com nossas travas, com nossos desejos não realizados, com nossa busca sempre protelada de felicidade. eu quero deixar bem claro que o fato da nossa vida ser medíocre não nos dá direito de julgar e atacar os que buscam uma vida plena e feliz. Apontamos o dedo para quem é livre num movimento de inveja e incomodo. Somos covardes e não vamos adiante na busca de realizarmos nossa potencialidade e no caso das mulheres, estas sofrem ainda mais.
Vamos pensar como a cultura apresenta a mulher:
– Nascem para ser mães.
– Só serão felizes se casarem e tiverem filhos.
– Devem casar virgens e não se importar com a experiencia sexual do parceiro.
– Podem até estudar, mas devem saber desenvolver bem as atividades do lar.
– Devem vestir-se de forma recatada para evitar que sofram qualquer violência ou ataque dos outros.
– (inclua aqui todos os itens que eu esqueci.)
Imagine o sofrimento das mulheres que vivendo sobre todos estes dogmas! Imagine crescer dizendo que você é o sexo frágil e que terá que apoiar sua vida na de um outro homem para poder ser feliz!
Mais de uma vez tive que lidar com mulheres que sofriam diante destas coisas, mas que as replicavam. Elas eram também agentes do sofrimento delas justamente porque desde sempre viveram ouvindo que aquilo era certo. Ficamos horrorizados com a forma com que as mulheres são tratadas em alguns países, mas esquecemos dos apedrejamentos diários que fazemos contra tantas mulheres no decorrer do nosso dia. Mais uma vez estamos apontando os erros dos outros e esquecemos dos problemas aqui no nosso quintal.
O Que fica na memória e o que fica na rede
Adoro filmes pornôs. Não tenho vergonha nenhuma em dizer, mas se uma mulher diz isso, logo causa espanto. Afinal, a mulher é casta e esta esperando marido, pensar em sexo antes do casamento é pecado! Se já pensamos assim, imagina quando uma mulher que não é do ramo, acaba sendo personagem de uma filmagem erótica!
RAMEIRAS! VAGABUNDAS! SE TIVESSEM SE DADO AO RESPEITO NÃO ESTARIAM SOFRENDO ISSO!
Pera! Para Tudo! A vitima agora é a culpada? Já não basta nas situações de estupro e violência, elas vão ser as culpadas quando um babaca qualquer divulga os videos íntimos destas mulheres? A guria participa da gravação, curte o momento e depois ainda é julgada por trocentos babacas. O Sujeito divulga os videos e ainda tentar se passar como vitima! E para piorar o sujeito reforça a fama de comedor enquanto a guria muitas vezes precisa sair do emprego, deixar de sair de casa e estudar. Sendo que ela não fez nada para merecer isso!
E fica martelando sempre em minha cabeça que é sem fundamento julgar estas mulheres, pois elas fazem o mesmo sexo que fazemos todos os dias com nossos parceiros. Elas transam e estão sendo felizes com isso, mas não nos contentamo em aceitar isso e as esprememos, massacramos, perseguimos até o momento em que muitas destas preferem tomar medidas extremas. E cada uma destas vidas estará profundamente marcada por cada uma de nossas violências.
Para piorar ainda mais o quadro, vivemos na era das redes sociais. Estas ferramentas estão servindo a um propósito perverso ao permitir que as pessoas possam dizer o que quiserem, sem sofrerem consequências imediatas e que muitas vezes nunca sofrerão. Se eu xingo uma pessoa na rua, a possibilidade dela reagir olhando nos meus olhos, seja com punhos ou palavras e imensa, mas pela internet temos este escudo que só faz aumentar nossa covardia e perversidade.
E vamos seguindo nossas vidas. Para as vitimas resta a vergonha e o preconceito, aos culpados, fica a consciência tranquila e penas pequenas. Para nós que julgamos e fazemos tanto escarcéu, fica só a espera do novo caso e da nova bruxa para queimarmos nas fogueiras do nosso preconceito.

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jardelitoJardel Maximiliano

Nascido nas terras quentes da Zona da Mata, Jardel mudou-se várias vezes e neste período adquiriu toda sorte de experiencias e profissões.

Atualmente é Psicólogo Diplomado . Trabalha com Extensão Universitária e Cultura, além de ser conselheiro amoroso.
Canalha Sentimental por criação e membro Sócio Fundador do Manual.

Gosta de passeios à luz da lua e de fazer amor em lugares públicos e continua sendo homem para casar.

 

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Um pensamento sobre “Sexo, Moral e Videotape

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