Você precisa disso tudo mesmo?

mala1

Na pequena grande lista de promessas para o início de ano, a minha, desse ano de 2013, teve uma de aproveitar um pouco mais a vida e isso significava, dentre outras coisas, que eu viajaria mais. Agora, quase no fim do ano, percebo que estou cumprindo minimamente a proposta. Mesmo estando limitado no número de lugares por onde passei ou o número de camas que não a minha em que dormi, a quantidade de viagens aumentou consideravelmente. Acredito que é caminho sem volta e já me inscrevi naquele grupo de pessoas que diz: Viajar é preciso!

A primeira coisa que fiz no ano, foi comprar uma mochila, pois seria ela que eu carregaria para todos os lados. Depois acompanharam um celular que me permitiu carregar minhas músicas e me ajuda passar o tempo nos ônibus [quando sozinho] e, agora mais para o fim do ano, uma máquina fotográfica de qualidade [outro desejo antigo].

Tá parecendo que o texto de hoje é sobre viajar, ou sobre promessas de inicio de ano e a capacidade que temos cumpri-las, não é? Mas não é isso não… o meu foco é na mochila [e malas, não tenhamos preconceito] e as coisas que carregamos dentro delas. O número de equipamentos básicos que me acompanham por aí parece ter crescido, mas na verdade minha mochila fica cada vez mais leve.

Foi o aprender a viajar que me ajudou a carregar o mínimo de coisas, só o necessário. Minha primeira arrumação era imensa, acreditava que tudo era importante… livros, muitas roupas, um tanto de produtos de higiene, alguns calçados, uma mini farmácia e mais um tanto de coisas inúteis. No fim da primeira viagem percebi como tinha carregado coisas demais e que, na verdade, a maior parte delas só me atrapalhava com o peso.

mala2

Só que, como tudo na vida, o buraco sempre fica mais embaixo, perceber que não utilizamos tudo aquilo que carregamos conosco, não significa que estaremos tão mais leves nas próximas vezes. Era extremamente difícil decidir o que ficaria para trás. E se esfriasse muito? [mesmo sendo verão] ou se chovesse? [mesmo sem nenhuma previsão de chuva e sabendo que para comprar outro guarda-chuva gastaria no máximo 10 reais] e caso um apocalipse zumbi acontecesse? O problema não era a viagem em si. O problema eram os medos, os meus medos e só havia um jeito de encará-los.

Perceber o que é realmente necessário não é um processo ideal, longe da correria das coisas. Não me sentei no alto de uma pedra e meditei até o momento em que o Buda, ou Cristo, ou Maomé desceu das nuvens e iluminou a minha mente. Só aprendi o que era necessário e o que era sobrepeso na minha bagagem de uma forma bem menos especial do que esperava: tentativa e erro. Um duro e longo processo que, às vezes, carregava o que não precisava e, às vezes, faltava algo essencial.

No fim das contas, a bagagem só diminuiu quando eu consegui perceber que o mais importante era o processo. Viajar já era deixar muitos receios de lado [Será que o dinheiro cobriria todas as contas? Perder um dia de trabalho no consultório, será que eu posso?  Não me sentirei deslocado na cidade x? Terei coragem de dormir em um albergue?…]. Só descobriria a resposta para essas perguntas, tentando. É o que tenho feito, tentado!

E você, o que anda carregando sem necessidade?

————————————-

[As imagens que você vê nessa postagem foram tiradas de uma série sobre as bagagens que os internos de hospitais psiquiátricos levavam nos dias de suas internações. As imagens são bem interessantes e vc pode acompanhar mais algumas aqui, mas, por mais interessantes que sejam, eu espero que ninguém mais tenha que ser internado num lugar desses.]

————————————————————————————————————————————

eumanual

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais.

Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s