Mulheres que se vestem de oncinha

sandália salto oncinhaSão tantas as amigas e clientes, universitárias ou trabalhadoras, que reclamam a falta de tempo para cuidarem de si. No meio das tarefas diárias falta tempo para uma maquiagem, unhas coloridas, salto alto, vestidos de festa… e aquilo vai deixando a pessoa um pouco menos feliz com a própria condição. Falta o dia de ser só sua, de suprir um dos mais importantes pecados: a vaidade.

É óbvio que esses padrões não se encaixam para todas as mulheres. Algumas passam longe do tal do rímel ou do batom. Preferem o tênis em detrimento do salto alto e nunca, mas nunca, usariam uma estampa de oncinha. Pois bem, direito delas, mas nesse texto eu quero falar do arquétipo da Perua e o direito a ele.

Os prazos cada vez mais apertados. As exigências de trabalho cada vez mais sufocantes e a obrigação de produzir muito mais em um intervalo de tempo sempre menor. É nesse quadro que a vaidade passa a ser aspecto menor na vida de uma pessoa.  Dizem assim: “Isso daí é perda de tempo, o importante é ganhar dinheiro”. Aí eu penso cá com meus botões; mas ganhar dinheiro para que? Não deveria ser, o dinheiro, um meio para se alcançar as coisas que nos fazem um pouco mais felizes?

Young girl applying lipstick

Outra suposição é de que bonita é a mulher com conhecimentos. Existe hoje quase uma perseguição à mulher que entra em crise ao ter que escolher entre comprar mais um livro ou mais um sapato.  Eu também acho que a inteligência é um afrodisíaco [note o artigo indefinido na frase], mas não sou eu, ou você, ou qualquer outra pessoa no mundo, quem tem o direito de definir como a pessoa irá se sentir bem com ela mesma.

Pior é a crença internalizada. Tanto batem na tecla que passam a acreditar mesmo que existe uma ordem de prioridades rigidamente construída. Não existe! No mais, se temos que trabalhar por horas a fio, muito melhor trabalhar se sentindo bem consigo, não? Então o tempo e o dinheiro gasto com uma blusa nova ou com uma tarde no cabeleireiro, nem sempre é dinheiro e tempo perdido. É uma questão de equilíbrio e de saber qual espaço é qual…

Queria dizer, por fim, que meu mundo ideal não é um mundo em que mulheres trabalhem como homens [honestamente, eu não quero trabalhar tanto!]. Meu mundo ideal é um espaço em que homens e mulheres recebam salários justos, possuam tempo livre… é muito melhor que essa competição em que, qualquer coisa que não seja destinada ao Capital, seja perda de tempo. Estamos mirando nos inimigos errados e combatendo possíveis aliados.

Pelo direito ao ócio, pelo direito à vaidade, pelo direito de ser Perua!

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eumanual

Marcelo Marchiori

Psicólogo clínico e social, atuou como coordenador de projetos em políticas públicas e hoje faz atendimentos clínicos e sociais.

Mineirin do interior, comunista e outras coisas obscenas… é tão barroco, mas tão barroco que a melhor frase para descrevê-lo é: “A incrível história de um homem e seu coração contraditório.”

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Um pensamento sobre “Mulheres que se vestem de oncinha

  1. Penso que valorizar a si, de várias maneiras, como comprar uma nova peça de roupa ou pintar as unhas é de grande valia para ir caminhando mais satisfeito (a) e contente na vida. Pode ser uma “espécie” de estímulo.

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